sexta-feira, 29 de abril de 2011

ÚLTIMO CONTINENTE



Saímos do Rio de Janeiro no navio de cruzeiro Star Princess, um grande transatlântico com mais de 2,6 mil passageiros e 1,4 mil tripulantes. A embarcação de bandeira inglesa navegou por quatro dias até sua primeira escala, na Ilhas Falkland (ou Malvinas, para os argentinos). Ficamos um dia conhecendo Port Stanley, e depois seguimos navegando em direção à Península Antártica.
Agora, nos aguardava o turbulento Estreito de Drake, que vai do Cabo Horn até a Antártica. Agitado pelo encontro dos oceanos Atlântico e Pacífico, o Mar de Scotia tem águas frias e densas. O forte vento e as altas ondas fizeram o nosso navio “cavalgar aos trancos”, destarte seu descomunal tamanho. O Princess Star tem mais de 100 mil toneladas, 300 metros de comprimento e 18 decks. Tudo valeu a pena _ em 30 de dezembro passado, estávamos na Antártica, mais precisamente navegando ao longo da península.
Nosso primeiro contato foi com a Ilha Elephant, seguindo para King George, onde está a Estação Polar Brasileira Comandante Ferraz. Seguimos navegando ao largo do cênico canal de Neumayer. Uma parada perto da Estação Polonesa Arctowsky e seguimos até o canal de Livingstone. Voltando ao norte, seguimos atravessando novamente o Drake até o Cabo Horn. Uma escala em Ushuaia, na Argentina e seguimos pelos canais fueguinos (Estreito de Magalhães) até Punta Arenas, no Chile.
Voltamos ao Oceano Atlântico, fazendo escalas em Puerto Madryn, Montevidéu e Buenos Aires, onde terminou nosso passeio.
A Antártica é pura magia, montanhas que emergem do oceano, glaciares, icebergs, ilhas vulcânicas, tudo numa perfeita sintonia entre um céu azul e um continente branco. Pingüins, baleias e lobos marinhos seguiam nosso barco. Ao sabor do vento, planavam petreis e albatrozes. Nas profundezas do oceano, peixes e muito kril, um pequeno tipo de camarão que dá sustentabilidade à cadeia alimentar polar.
A Antártida é um sonho, e retratá-la seria tão difícil como tentar tocar o noturno número 2 de Chopin em um tambor.