MONASTÉRIO DE RILA
Entre as montanhas que esculpem a Bulgária, muito perto do seu ponto máximo, o pico Monte Musala ou Dimetrov, do alto dos seus imponentes 2925 metros, vamos encontrar um belo vale, vez que outra escondido na névoa da montanha, mas geralmente aberto ao lindo céu azul com os picos eternamente nevados dos |Bálcãs a lhe fazer moldura.
Lá está O Monastério de Rila, uma construção do século XIII, considerado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1983.
Também é o mais famoso exemplo da arquitetura búlgara, localizado cerca de 120 Km da capital, com acesso por uma graciosa rodovia pavimentada que vai serpenteado a montanha até o Vale do Monastério.
Fundado durante o século X, muito sofreu nestes últimos milênios, foi repetidamente destruído, queimado e com alguns abalos sísmicos, mas felizmente sempre se erguem e hoje está lá com toda sua imponência para o nosso deslumbramento.
Um eremita de nome São João de Rila ( Ivan Rilki) entre 876 a 946 abrigou a primeira comunidade monástica nos Bálcãs. Inicialmente este eremita permaneceu numa gruta, onde dizia ser a primeira moradia do Santo Búlgaro. Com o passar do tempo foram trocando gradualmente o lugar de assentamento, mas conservando a mesma região. Atualmente resta apenas ainda a Torre da Homenagem da época primordial. Os monges conseguiram atravessar incólumes as agruras dos conflitos bélicos da região graças ao apoio dos reis na idade media. No período otomano o monastério conseguiu manter sua soberania e independência, convertendo-se num centro canalizador da educação cristã.
No Renascimento, foi considerado centro de peregrinação, e nesta época novos edifícios foram agregados ao complexo.
O monastério é um precioso conjunto arquitônico, com inúmeros edifícios, capelas e umas igrejas. Harmoniosamente integrados no conjunto das montanhas. Predomina uma linha arquitetônica em arcos, com grande influência bizantina, mas com um toque eslavo.
Um grande complexo murado, que abriga cerca de vinte edifícios residenciais construídos entre os séculos XIV e XIX, onze igrejas e outras edificações para fins educativos e religiosos. A mais antiga é a Torre Fortificada, também chamada da Homenagem, foi erigida em 1335 e possui cinco andares. A Igreja da Transfiguração é uma obra prima, ricamente ornada com afrescos ortodoxos do século XIV.
O Monastério tem mais de trezentos quartos, distribuídos em construções de até cinco andares. A Catedral da Ascensão se localiza no centro do complexo, foi construída entre os anos 1834 e 1837, rodeada de arcadas tem três naves.
Notável ainda é a biblioteca, o museu e o arquivo documental.
Como já tinha dito, Rila era meu ponto alto na visita a Bulgária, assim minha primeira medida ao chegar na capital búlgara, foi procura alguma agência de turismo que oportunizasse minha visita. Embora a dificuldade lingüística em pouco tempo recebeu a informação onde acharia o serviço turístico para visitar o monastério. Numa agência local comprei um pacote para um full day em Rila, claro que optando por serviço em grupo de turismo, pois o individual sairia bem mais caro.
No dia seguinte aguardava no lobby do hotel o ônibus, micro e o guia local para o passeio. O dia estava com uma garoa leve e o céu muito encoberto. Passava alguns minutos das nove horas, quando parou na frente do hotel um micro ônibus e embarcou um grupo de franceses, eu olhei de soslaio, mas meu nome não foi mencionado. Assim continuei esperando.
Como de hábito estava trajado para viagem: chapéu, colete tipo safári, jeans e tênis. Logo em seguida parou uma grande Mercedes preta, tipo limusine e desceu uma mocinha e foi falar na recepção.
Pergunta aqui, pergunta ali e parecia que ninguém lhe dava a informação, até que de repente esta se virou para mim e perguntou?
-Mr Azambuja
-Yes
Respondi, ao passo que ela se apresentou. Sou a srta Asya Kraicheva, sua guia para Rila.
Lá fui eu de motorista e guia num mercedão para Rila. Esta muito atenciosa, num inglês fluente foi dando ampla explicação sobre a origem e história do monastério.
Chegando lá, me proporcionou um belo tour privativo pelo complexo e no final ainda me ofereceu, que estava incluído no pacote, um saboroso almoço típico da região.
O Vale de Rila estava infelizmente encoberto por uma nevoa, e uma garoa persistente não dava trégua. Asya insistia em me pajear com um enorme guarda-chuva vermelho. Depois de ouvir suas explicações pedi para ficar um pouco só para poder desfrutar a magia do lugar. Caminhar pelas ruas empedradas com a chuva fina molhando meu rosto.
Fiquei um bom par de horas admirando as pinturas nas paredes das igrejas e escolas. Pinturas medievais com um grande simbolismo.
As pinturas retratavam o cotidiano da época, e pequenos diabinhos com caudas em forma de seta induziam os campesinos as más práticas. Claro que os diabinhos tinham as feições dos turcos, seus eternos inimigos naturais.
Após o almoço, na hora do cafezinho e cigarro, a srta Asya olhando minha carteira e cigarro, fez uma referencia aos dizeres antitabagistas no verso do maço. Perguntei-lhe como sabia que era aquilo que estava escrito, pois estava grafado em português. Somente então ela falou-me que também estudava espanhol.
Depois de mais de quatros horas, gastando meu ouvido para entender o fluente e rápido inglês americano de Asya, podemos conversar um pouco numa língua que me é mais familiar.
Quando regressamos para Sofia, minha guia sugeriu que eu seguisse paras a Servia de ônibus, pois era mais rápido e confortável que os trens locais. Como eu já tinha tido um a péssima viagem de Istambul a Sofia, acatei prontamente sua sugestão.
Ela levou-me no terminal rodoviário e providenciou meu bilhete para o dia seguinte.
Estava com a passagem para Beogrado na mão, ainda não imaginava as peripécias que estariam por acontecer.
Graças a esta competente guia tive a oportunidade de conhecer uma das mais preciosas jóias arquitônicas do mundo. Mesmo um dia chuvoso, um guia atencioso e educado pode tornar um passeio inesquecível. Não há lugares feios no mundo, muitas vezes nos é que não estamos bem, mas que uma ajuda competente pode arquitetar maravilhosamente sua viagem.

























