segunda-feira, 2 de abril de 2012

Passeio a QUITO & GALAPAGOS surrupiado

                                                                 QUITO


         Cheguei a capital equatoriana numa segunda feira, dia 27/02/2012 às 22 horas. Fui direto ao Hostal Jhomana, como estava cansada pela demora no aeroporto, cai direto na cama e dormi.
         Na manhã seguinte 28/02/2012, terça feira, tomei meu café da manhã e por volta das 8:30 sai para conhecer a cidade. Conforme indicação segui pela rua Dávalos até a Av 10 de Agosto e rumei em direção ao centro histórico.
         Segui pela 10 de Agosto até a Praça Santo Domingo, fiz um pequeno descanso e segui passeando até a Praça de São Francisco. Assim fiquei caminhando pelo centro histórico e admirando as belas construções coloniais.

         Por volta das 11:30 entrei num restaurante bem simples ainda no centro e comi um “a lá minuta” que me custou 8 U$, paguei com uma nota de dez dólares, recebendo dois dólares em moedas, como troco, as quais pus no bolso da calça.

         Era meio dia, assim resolvi voltar para o hotel, procurei informação com uns guardas na rua, qual era a direção da rua 10 de Agosto, pois como tinha vindo por ali, a volta seria bem fácil.

         Ao atravessar uma rua, passando por uma árvore senti algo muito fedorento e nauseabundo escorrer pela minha cabeça.
         Imediatamente um senhor correu com um lenço para me limpar, dizendo que tinha sido uma ave.
         O cheiro era muito forte, e depois vi que um líquido com fezes me escorria pelo rosto, olhos e face. Assim instintivamente me abaixei para me limpar. Estava com a minha maleta com todo o equipamento fotográfico, dinheiro e passaporte nela. Não sei como nessa fração de segundo, me arrancaram ou cortaram a alça da bolsa, pois esta, estava atravessada em meus ombros, e sumiram com ela.

         Agora estava sem nada, tinha sido roubado, só me restaram quatro moedinhas no bolso, perfazendo um montante de dois dólares.

         Imediatamente procurei uma autoridade policial, que custou a aparecer, quando eu perguntei onde era a delegacia de policia mais próxima. Depois de algumas informações desencontradas finalmente achei uma que era de atenção ao turista.

         Registrei a ocorrência, sendo muito bem tratado e a funcionaria até disponibilizou uma viatura para levar me a Embaixada Brasileira.
         Cheguei na Embaixada Brasileira, que por sinal, tinha se mudado. Estava agora num outro lugar. Graças às moedinhas do troco do almoço, pude pegar um táxi, explicando que só tinha aquilo, ele acabou me levando lá.

         Depois de uns tramites burocráticos, um senhor muito gentil me orientou que a primeira medida seria bloquear o cartão de credito. Usando o telefone da Embaixada, pude sem antes penar nas inúmeras ligações, pois queriam CPF e etc...
         Depois tentei ligar para a Taca, explicando o ocorrido e solicitando um vôo para aquela tarde mesmo, pois eram mais ou menos 16 horas, mas foi tudo em vão.
         Logo em seguida a senhora que estava ajudando fez um documento legalizando minha volta ao Brasil.
         Falei que estava sem um tostão, eles vieram com um papo que a Embaixada estava sem verbas e blá blá e mais blá blá, por fim deram VINTE DOLARES (20 U$), alegando que tinham feito uma “vaquinha entre eles” agradeci e sai para a rua.

         O MUNDO TINHA DESABADO NA MINHA CABEÇA

                                      E AGORA...


         Peguei um táxi e voltei ao hotel, dos 20 dólares ganhos na embaixada, sobravam agora apenas 16 U$. Era o que eu tinha, para viver até conseguir chegar em casa.
         Cheguei no hotel por volta das 18 horas, eles já sabiam da ocorrência, pois a policia local, havia ligado para se informar do número do meu passaporte.
         Entrei na Internet e passei uma mensagem para a UNESUL contando o ocorrido, e outra para a ALINE com o assunto em URGENTE. Pedi que no dia seguinte fosse na UNESUL e falasse com a Neide, para providenciar minha repatriação, junto à empresa aérea e outras coisas mais que fossem necessárias.
         Convém lembrar que no Equador agora temos uma diferença de 2 horas no fuso, a menos que em relação ao Brasil.
         Ela deve ter recebido a mensagem por volta das 21:30, horário brasileiro. Para minha surpresa, pouco tempo depois, recebo um telefonema dela, dizendo que no dia seguinte estaria na agencia providenciando tudo.
         Foi uma noite que nem dois comprimidos de rohypnol mais 10 mg de diazepam me fizeram dormir direito. Acordo na quarta feira, 29/02/2102 e voei em direção ao computador. Era cerca de sete horas da manhã, muito cedo, portanto, no Brasil deveriam ser nove horas da manhã.
         Fui tomar o meu café, pois minha diária fechava ao meio dia. Procurei tomar um café bem forte e comer tudo que pudesse, pois até então não sabia quando e onde comeria outra vez, tampouco dormiria?

         Fiquei fumando um cigarro atrás do outro, na parte externa do loby, e de 15 em 15 minutos, voltava ao computador para ver se tinha alguma noticia.


         Eram umas dez horas da manhã, Aline me liga novamente dizendo que estava tudo resolvido, que eu voltaria naquele dia, às 18:15 em direção a Lima, e de lá às 23:30 com destino a Porto Alegre.

         Aquele telefonema, aquelas palavras; foram como um novo ar, uma nova vida...a libertação de uma prisão.

         Pouco depois recebo uma mensagem da UNESUL, com os bilhetes aéreos em anexo. O dono do hotel os imprime para mim. Guardo aqueles bilhetes, passaporte, ocorrência policial, e os 16 U$ no bolsinho do colete com o maior cuidado. AQUILO ERA TUDO O QUE TINHA. ERA MEU SALVO CODUTO...O CAMINHO PARA MINHA CASA.


         Espero até às 13:30 e vou para o aeroporto. Não agüentava mais a ansiedade. Cheguei lá, paguei os nove dólares do táxi e sobrava para mim ainda sete dólares.
         No aeroporto em Quito, gastei dois dólares num sanduíche, ficaram ainda cinco.
         Finalmente embarquei em Quito para Lima. A agente de imigração foi muito gentil, tentou desculpar seu povo pelo ocorrido comigo, e me desejou um feliz regresso.

         Aguardo em Lima a conexão, gasto mais 3dolares numa coca cola, pois estava com muita sede. Embarquei as 23:30 no vôo da Taca em direção a Porto Alegre, jantei e bebi bem a bordo. Às 06:05 eu pousava, no Salgado Filho, no horário equatoriano era 04:05.
         Passei pela imigração e a policia federal me recolheu o documento e fez um sinal para outra pessoa. Quando pego minha mala e vou passar para a saída do aeroporto, um agente da policia federal me faz o maior “pente fino” nas minhas coisas, até as meias sujas, ele abriu. Vasculhou minha mala com uma precisão cirúrgica e finalmente me liberou.