terça-feira, 16 de abril de 2013

QUANDO EU ERA BONITINHO

Algumas fotos do baú das recordações:USA-EUROPA-ARGENTINA





fotos pelos caminhos do mundo




 Uruguai






Salto del Angel


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                                      BONITO

 

 

         Quando o Mato Grosso era apenas Mato Grosso, não estava dividido em duas partes, quando a juventude ainda usava calças boca de sino e cabelo comprido, andando sem lenço nem documento, cantando as canções dos Beatles, uma das mecas do turismo aventura era o famoso trem da morte.

         Este lendário trem vinha de São Paulo, fazia inúmeras escalas e seguia até Campo Grande. Lá os descolados embarcavam neste trem em direção a Corumbá, donde seguiam até Puerto Suares na Bolívia e seguiam até Santa Cruz de la Sierra.

         Pouco tempo depois, começou a se dar um pouco de importância ao nosso Pantanal, talvez em parte pelas revelações trazidas pela telinha da Rede Manchete de Televisão, com a novela Pantanal.

         As aventuras de Juma naquele cenário maravilhoso que a região proporciona, aliada à bela fotografia que a novela proporcionava. Esta região decolou, tornando-se um dos pontos mais altos do turismo nacional.

         Nem sonhavam as pessoas que buscavam Corumbá, sacolejando em ônibus pela BR 262 ou pelo Trem da Morte, que na altura de Miranda, pouco mais de 200 Km da capital do estado, se olhassem para o sul veriam certamente uma estradinha poeirenta ou embarrada, conforme a época do ano com uma placa, indicando: Bodoquena.

         Bodoquena é um dos caminhos que nos levam a Bonito.

         Naquela época, esta região estava sendo ocupada por inúmeros agricultores e criadores de gado, inclusive uma grande leva de gaúchos fazia o desbravamento da região.

         Esta região até então era ocupada por grandes fazendas, onde grandes rebanhos de zebus pastavam tranqüilamente, sem dar a mínima atenção para suas belezas naturais.

         Os índios terenas descobriram e veneravam a lagoa azul e pescavam tranqüilamente seus dourados, nas límpidas águas dos rios locais.

         A região é nascente de inúmeros rios que irão correr para o Pantanal ao norte; para o rio Paraguai ao oeste ou para o rio Paraná ao sul.

         O solo da região é basicamente calcário e seu subsolo tem um riquíssimo lençol freático responsável por inúmeras nascentes de águas cristalinas. Podemos entre dezenas de cursos hídricos, citar os rios: Miranda-Taquaraçú-Brilhante-Nioaque e Salobro entre outros.

         Uma grande planície situada a 315 metros acima do nível do mar entre as Serras da Bodoquena e Maracajú na grande várzea do rio Paraguai.

         Aqui vamos encontrar Bonito, naquela época talvez fosse apenas uma pequena vila. Hoje Bonito tem uma população estável de mais um menos dezoito mil habitantes. Sua rua principal Coronel Pilad Rebuá é movimentada. São inúmeros os restaurantes, lojas de artesanatos, agencias de viagens e animados bares sempre com um forró animando as quentes noites mato-grossenses.

         Os fazendeiros da região começaram a prestar mais atenção, naqueles eventuais turistas que cruzavam o Brasil para ver aqueles rios cristalinos, cachoeiras e lagoas translúcidas. Começaram a abrir as porteiras de suas fazendas e proporcionar maior conforto para estes turistas. Estavam abertas as portas do turismo rural, o turismo ecológico. Hoje as propriedades rurais, faturam mais com o turismo que com os bois pastando placidamente. Aqueles rios até então desconhecidos, aqueles grotões sem utilidade, aquelas grutas que até então só serviam de dormitório para os morcegos estavam fascinando os visitantes.

         Bonito explodia ao turismo nacional, o boca a boca foi crescendo, as operadoras de turismo descobriram o potencial da região. Hoje é um paraíso ecológico, um ponto obrigatório de visitação.

         Uma natureza encantadoras, águas cristalinas correndo mansamente, ora despencando em majestosas cachoeiras, ora apenas tranqüilas em lagos.

         Hoje os peixes como: Dourados-pacús, piraputangas-cacharas-piaus e cascudos estão se acostumando com os turistas a observa-los em mergulhos de flutuação. Suas corredeiras têm um movimento a mais, a descida em botes infláveis. Seus lagos escondidos, hoje apenas encantam pela sua grandiosidade.

         Ararás, papagaios tucanos e outras aves pantaneiras singram os céus num coreografado vôo, na terra os animais silvestres, ainda ariscos dão vez que outra os ares de sua graça.

         Bonito; é passeio ecológico, admirar uma natureza intocada, rios cristalinos, cavernas com estalagmites e estalagtites. Águas mansas de um tom azul sonho.

        

         As principais atrações de Bonito são:

 

                             Baia Bonita

                             Rio Sucuri

                             Gruta do Lago Azul

                             Rio Formoso

                             Cachoeira da Fazenda Mimosa

                             Cachoeira do Rio do Peixe

                             Gruta da Mimosa

                             Buraco das Araras

                            

         A maioria destas atrações, estão em propriedades privadas, mas com a ajuda dos proprietários, guias locais e Ibama, a visitação é controlada. Dentro das mais rígidas normas de preservação ambiental.

         Imperdível é a visitação da Gruta Azul, tombada em 1978 como patrimônio histórico. Percorrendo os 320 metros de escadas para descer os 90 metros até o nível da lagoa. A água é de um azul turquesa profundo, de uma transparência impar, graças ao seu leito rico em carbonato de cálcio. Até os restos de uma preguiça gigante já foram encontrados em seu leito. Atualmente estão proibidos os mergulhos, apenas a contemplação, que é mais linda pela manhã quando o nosso astro rei despeja seus raios até a superfície da água, reverberando o encanto, em nuances indescritíveis de azuis.

 

         O Parque Ecológico Baia Bonita; um aquário natural, surpreende os visitantes nos mergulhos de flutuação com snorkel, as águas de uma limpidez sem comparação, superam as famosas lagunas de Cancun, os mergulhos livre em Fernando de Noronha ou no Mar Vermelho. São momentos de eterno encantamento, ver o desfile de dourados e outros peixes multicores nadando a centímetros da nossa máscara.

 

         Descer as corredeiras do Rio Sucuri, em botes infláveis é outro passeio que mistura a tranqüilidade das margens intocadas, com a agitação das águas espumantes, roncando nas pedras. Uma mistura perfeita de paz e adrenalina.

 

         No Buraco das araras, vamos ver a troca de turno. No por do sol araras em algazarra voltam para seus ninhos, acordando os sonolentos morcegos que saem silvando para sua ronda noturna. O céu vermelho é riscado pelo vai e vem constante destes voadores.

 

         Atrações é que não faltam, assim vamos conferir em loco Bonito. Já conhecia a região de outras épocas. Viajando sem lenço, mas com documentos, passei uma noite nos trilhos do Trem da Morte, chegando em Corumbá e depois seguindo pela Bolívia, sem antes porem, gastar uns deliciosos dias pelo fantástico Pantanal.

 

 

 

                              BANHOS NOS RIOS

 

 

         Viajar quase 1754 km, passar vinte e seis horas dentro de um ônibus, para ir tomar banho de rio...parece loucura.

         Saímos de Porto Alegre as 9:15 da manhã de sábado, quatro de fevereiro de 2006 com destino ao Mato Grosso do Sul. Seguimos por Lajeado, Carazinho, Seberi e Irai onde cruzamos o rio Uruguai entrando no Estado de Santa Catarina. Passamos por São Miguel do Oeste e seguimos rumo ao Paraná. Nossa próxima etapa, seriam as cidades de Cascavel e Guairá, onde atravessamos a maior ponte rodo fluvial do mundo sobre o rio Paraná que liga o Paraná com o Mato Grosso do Sul.

         Tomamos o café da manhã em Dourados e pouco antes do meio dia chegávamos em Bonito.

         Sem perder tempo, deixamos nossas bagagens no hotel e seguimos de imediato para o Balneário Municipal. Um belo local de entretenimento as margens do rio Formoso, com infraestrutura completa para o lazer. Este parque está equipado com diversos restaurantes, simples, mas com excelente comida, além de quadras de futebol e vôlei de areia. Sua principal atração, é os banhos nas águas límpidas do rio, proporcionando belos mergulhos por entre dourados e piraputangas e curimbas, peixes típicos da região.

         Foi um maravilhoso descanso para nossos corpos moídos, após a longa viagem desde Porto Alegre.

         No final da tarde regressamos ao hotel, para um banho de chuveiro e nos recompor. O sol não tinha ainda desaparecido completamente e já estávamos na rua, rumo ao centro da cidade.

         Bonito, é uma pequena cidade, com um pouco mais de 16.000 habitantes. Sua vida desenrola-se ao longo da sua longa avenida: Coronel Pilad Rebuá. Entramos num dos inúmeros restaurantes desta rua e iniciamos com um rodízio de peixes da região. O pacú assado é simplesmente divino. Um peixe gordo e de sabor marcante, foi o meu eleito para as refeições seguintes.

         Um pouco abaixo, nesta mesma avenida descobrimos uma sorveteria. Cerca de cem sabores estavam a nossa disposição, além dos tradicionais que temos por aqui e as invenções locais, uma menção especial para os de frutas regionais e as da Amazônia.

         Açaí, cupuaçú, graviola e gengibre entre outros tantos merecem ser provados e repetidos. Foi o que fiz sistematicamente, todas as noites após o jantar durante minha estada na cidade.

         Como já disse, Bonito é uma cidade pequena e à vida corre pela avenida principal. Aqui encontramos a maioria dos restaurantes, agências de turismo, lojas de artesanatos, pousadas e hotéis. O nosso ficava num dos extremos da avenida, o que nos obrigava a caminhadas de quase dois quilômetros até o centro da cidade.

          No dia seguinte, saímos cedo pela manhã para realizarmos o passeio pelo Parque das Cachoeiras. Este parque é uma propriedade particular, que está desenvolvendo um belo programa de ecoturismo.             O rio Mimoso oferece várias quedas de água proporcionando deliciosos banhos de cachoeira.

         Na terça feira, fomos pela manhã visitar a mundialmente famosa Gruta do Lago Azul. Está situada cerca de 20 km, do centro da cidade, também em propriedade particular, mas sob o tombamento do Ibama. Tem um controle de visitação muito rígido, com inúmeras normas de segurança e de proteção ambiental.

         Na chegada somos orientados sobre os cuidados com a natureza e posteriormente seguimos por uma trilha pela mata ciliar até a entrada da gruta. Após a entrada vamos descendo por uma trilha íngreme. Noventa metros separam a entrada da gruta a superfície do lago.  À medida que vamos terra adentro, uma magia azulada emana das águas profundas. Poucas horas, pela manhã, é o tempo que o nosso astro rei consegue vencer a entrada da gruta e lançar seus raios na superfície cristalina.

         A abóbada caverna, é decorada por estalactites, e a trilha por estalagmites e traventinos.

          Esta água, a pouco mais de noventa metros da superfície nada mais é que um afloramento do Aqüífero Guarani.

         As águas de um aqüífero, são aquelas que ocupam os espaços existentes entre as rochas do subsolo, assim como os rios, às águas subterrâneas são divididas em províncias, que geralmente abastecem os rios de superfície.

         No Brasil temos dez províncias documentadas: Amazonas, Parnaíba, São Francisco, Paraná, Centro-Oeste, Costeira e as dos Escudos setentrional, central, oriental e meridional.

         O Aqüífero Guarani ou da Bodoquena é a principal reserva de água doce da América do Sul. Estendendo-se pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e por partes dos territórios do Paraguai, Argentina e Uruguai. Pode conter aproximadamente 43 trilhões de metros cúbicos de água, para se ter uma idéia melhor: poderíamos dizer que é água suficiente para abastecer uma população de quinhentos milhões de pessoas por um período de um ano.

         Estes afloramentos, comuns em tantos outros lugares, mas aqui fazem o encanto da natureza. O terreno rico em calcário, faz com que os leitos dos rios sejam como um caminho “caiado”, por onde a água rola numa limpidez impar.

        No nosso último dia, fomos comprovar esta maravilha. Fizemos um passeio de flutuação pelo rio Sucuri, desde suas nascentes até cerca de 18oo metros abaixo. Com roupas de neoprene e equipamento de snorkel, nos deixamos levar pelas águas mansas do rio Sucuri.

         Um espetáculo de rara beleza, quase duas horas de observação da fauna e flora subaquática, passando lentamente pelo vidro do nosso snorkel.

         Um mundo novo, silencioso, cadenciado pela exuberância da natureza. Depois do passeio, um saboroso almoço, na sede da fazenda, com uma infra-estrutura admirável.

         No último dia ficamos descansando na nossa pousada, até o horário de partida para Porto Alegre.

         Saímos por volta das 14 horas, tínhamos pela frente cerca de 26 horas de viagem até a capital gaúcha. Uma viagem tranqüila, com tempo suficiente para reeditar na nossa memória os belos momentos que passamos em Bonito.

 

 
                                      BONITO
 
 
         Quando o Mato Grosso era apenas Mato Grosso, não estava dividido em duas partes, quando a juventude ainda usava calças boca de sino e cabelo comprido, andando sem lenço nem documento, cantando as canções dos Beatles, uma das mecas do turismo aventura era o famoso trem da morte.
         Este lendário trem vinha de São Paulo, fazia inúmeras escalas e seguia até Campo Grande. Lá os descolados embarcavam neste trem em direção a Corumbá, donde seguiam até Puerto Suares na Bolívia e seguiam até Santa Cruz de la Sierra.
         Pouco tempo depois, começou a se dar um pouco de importância ao nosso Pantanal, talvez em parte pelas revelações trazidas pela telinha da Rede Manchete de Televisão, com a novela Pantanal.
         As aventuras de Juma naquele cenário maravilhoso que a região proporciona, aliada à bela fotografia que a novela proporcionava. Esta região decolou, tornando-se um dos pontos mais altos do turismo nacional.
         Nem sonhavam as pessoas que buscavam Corumbá, sacolejando em ônibus pela BR 262 ou pelo Trem da Morte, que na altura de Miranda, pouco mais de 200 Km da capital do estado, se olhassem para o sul veriam certamente uma estradinha poeirenta ou embarrada, conforme a época do ano com uma placa, indicando: Bodoquena.
         Bodoquena é um dos caminhos que nos levam a Bonito.
         Naquela época, esta região estava sendo ocupada por inúmeros agricultores e criadores de gado, inclusive uma grande leva de gaúchos fazia o desbravamento da região.
         Esta região até então era ocupada por grandes fazendas, onde grandes rebanhos de zebus pastavam tranqüilamente, sem dar a mínima atenção para suas belezas naturais.
         Os índios terenas descobriram e veneravam a lagoa azul e pescavam tranqüilamente seus dourados, nas límpidas águas dos rios locais.
         A região é nascente de inúmeros rios que irão correr para o Pantanal ao norte; para o rio Paraguai ao oeste ou para o rio Paraná ao sul.
         O solo da região é basicamente calcário e seu subsolo tem um riquíssimo lençol freático responsável por inúmeras nascentes de águas cristalinas. Podemos entre dezenas de cursos hídricos, citar os rios: Miranda-Taquaraçú-Brilhante-Nioaque e Salobro entre outros.
         Uma grande planície situada a 315 metros acima do nível do mar entre as Serras da Bodoquena e Maracajú na grande várzea do rio Paraguai.
         Aqui vamos encontrar Bonito, naquela época talvez fosse apenas uma pequena vila. Hoje Bonito tem uma população estável de mais um menos dezoito mil habitantes. Sua rua principal Coronel Pilad Rebuá é movimentada. São inúmeros os restaurantes, lojas de artesanatos, agencias de viagens e animados bares sempre com um forró animando as quentes noites mato-grossenses.
         Os fazendeiros da região começaram a prestar mais atenção, naqueles eventuais turistas que cruzavam o Brasil para ver aqueles rios cristalinos, cachoeiras e lagoas translúcidas. Começaram a abrir as porteiras de suas fazendas e proporcionar maior conforto para estes turistas. Estavam abertas as portas do turismo rural, o turismo ecológico. Hoje as propriedades rurais, faturam mais com o turismo que com os bois pastando placidamente. Aqueles rios até então desconhecidos, aqueles grotões sem utilidade, aquelas grutas que até então só serviam de dormitório para os morcegos estavam fascinando os visitantes.
         Bonito explodia ao turismo nacional, o boca a boca foi crescendo, as operadoras de turismo descobriram o potencial da região. Hoje é um paraíso ecológico, um ponto obrigatório de visitação.
         Uma natureza encantadoras, águas cristalinas correndo mansamente, ora despencando em majestosas cachoeiras, ora apenas tranqüilas em lagos.
         Hoje os peixes como: Dourados-pacús, piraputangas-cacharas-piaus e cascudos estão se acostumando com os turistas a observa-los em mergulhos de flutuação. Suas corredeiras têm um movimento a mais, a descida em botes infláveis. Seus lagos escondidos, hoje apenas encantam pela sua grandiosidade.
         Ararás, papagaios tucanos e outras aves pantaneiras singram os céus num coreografado vôo, na terra os animais silvestres, ainda ariscos dão vez que outra os ares de sua graça.
         Bonito; é passeio ecológico, admirar uma natureza intocada, rios cristalinos, cavernas com estalagmites e estalagtites. Águas mansas de um tom azul sonho.
        
         As principais atrações de Bonito são:
 
                             Baia Bonita
                             Rio Sucuri
                             Gruta do Lago Azul
                             Rio Formoso
                             Cachoeira da Fazenda Mimosa
                             Cachoeira do Rio do Peixe
                             Gruta da Mimosa
                             Buraco das Araras
                            
         A maioria destas atrações, estão em propriedades privadas, mas com a ajuda dos proprietários, guias locais e Ibama, a visitação é controlada. Dentro das mais rígidas normas de preservação ambiental.
         Imperdível é a visitação da Gruta Azul, tombada em 1978 como patrimônio histórico. Percorrendo os 320 metros de escadas para descer os 90 metros até o nível da lagoa. A água é de um azul turquesa profundo, de uma transparência impar, graças ao seu leito rico em carbonato de cálcio. Até os restos de uma preguiça gigante já foram encontrados em seu leito. Atualmente estão proibidos os mergulhos, apenas a contemplação, que é mais linda pela manhã quando o nosso astro rei despeja seus raios até a superfície da água, reverberando o encanto, em nuances indescritíveis de azuis.
 
         O Parque Ecológico Baia Bonita; um aquário natural, surpreende os visitantes nos mergulhos de flutuação com snorkel, as águas de uma limpidez sem comparação, superam as famosas lagunas de Cancun, os mergulhos livre em Fernando de Noronha ou no Mar Vermelho. São momentos de eterno encantamento, ver o desfile de dourados e outros peixes multicores nadando a centímetros da nossa máscara.
 
         Descer as corredeiras do Rio Sucuri, em botes infláveis é outro passeio que mistura a tranqüilidade das margens intocadas, com a agitação das águas espumantes, roncando nas pedras. Uma mistura perfeita de paz e adrenalina.
 
         No Buraco das araras, vamos ver a troca de turno. No por do sol araras em algazarra voltam para seus ninhos, acordando os sonolentos morcegos que saem silvando para sua ronda noturna. O céu vermelho é riscado pelo vai e vem constante destes voadores.
 
         Atrações é que não faltam, assim vamos conferir em loco Bonito. Já conhecia a região de outras épocas. Viajando sem lenço, mas com documentos, passei uma noite nos trilhos do Trem da Morte, chegando em Corumbá e depois seguindo pela Bolívia, sem antes porem, gastar uns deliciosos dias pelo fantástico Pantanal.
 
 
 
                              BANHOS NOS RIOS
 
 
         Viajar quase 1754 km, passar vinte e seis horas dentro de um ônibus, para ir tomar banho de rio...parece loucura.
         Saímos de Porto Alegre as 9:15 da manhã de sábado, quatro de fevereiro de 2006 com destino ao Mato Grosso do Sul. Seguimos por Lajeado, Carazinho, Seberi e Irai onde cruzamos o rio Uruguai entrando no Estado de Santa Catarina. Passamos por São Miguel do Oeste e seguimos rumo ao Paraná. Nossa próxima etapa, seriam as cidades de Cascavel e Guairá, onde atravessamos a maior ponte rodo fluvial do mundo sobre o rio Paraná que liga o Paraná com o Mato Grosso do Sul.
         Tomamos o café da manhã em Dourados e pouco antes do meio dia chegávamos em Bonito.
         Sem perder tempo, deixamos nossas bagagens no hotel e seguimos de imediato para o Balneário Municipal. Um belo local de entretenimento as margens do rio Formoso, com infraestrutura completa para o lazer. Este parque está equipado com diversos restaurantes, simples, mas com excelente comida, além de quadras de futebol e vôlei de areia. Sua principal atração, é os banhos nas águas límpidas do rio, proporcionando belos mergulhos por entre dourados e piraputangas e curimbas, peixes típicos da região.
         Foi um maravilhoso descanso para nossos corpos moídos, após a longa viagem desde Porto Alegre.
         No final da tarde regressamos ao hotel, para um banho de chuveiro e nos recompor. O sol não tinha ainda desaparecido completamente e já estávamos na rua, rumo ao centro da cidade.
         Bonito, é uma pequena cidade, com um pouco mais de 16.000 habitantes. Sua vida desenrola-se ao longo da sua longa avenida: Coronel Pilad Rebuá. Entramos num dos inúmeros restaurantes desta rua e iniciamos com um rodízio de peixes da região. O pacú assado é simplesmente divino. Um peixe gordo e de sabor marcante, foi o meu eleito para as refeições seguintes.
         Um pouco abaixo, nesta mesma avenida descobrimos uma sorveteria. Cerca de cem sabores estavam a nossa disposição, além dos tradicionais que temos por aqui e as invenções locais, uma menção especial para os de frutas regionais e as da Amazônia.
         Açaí, cupuaçú, graviola e gengibre entre outros tantos merecem ser provados e repetidos. Foi o que fiz sistematicamente, todas as noites após o jantar durante minha estada na cidade.
         Como já disse, Bonito é uma cidade pequena e à vida corre pela avenida principal. Aqui encontramos a maioria dos restaurantes, agências de turismo, lojas de artesanatos, pousadas e hotéis. O nosso ficava num dos extremos da avenida, o que nos obrigava a caminhadas de quase dois quilômetros até o centro da cidade.
          No dia seguinte, saímos cedo pela manhã para realizarmos o passeio pelo Parque das Cachoeiras. Este parque é uma propriedade particular, que está desenvolvendo um belo programa de ecoturismo.             O rio Mimoso oferece várias quedas de água proporcionando deliciosos banhos de cachoeira.
         Na terça feira, fomos pela manhã visitar a mundialmente famosa Gruta do Lago Azul. Está situada cerca de 20 km, do centro da cidade, também em propriedade particular, mas sob o tombamento do Ibama. Tem um controle de visitação muito rígido, com inúmeras normas de segurança e de proteção ambiental.
         Na chegada somos orientados sobre os cuidados com a natureza e posteriormente seguimos por uma trilha pela mata ciliar até a entrada da gruta. Após a entrada vamos descendo por uma trilha íngreme. Noventa metros separam a entrada da gruta a superfície do lago.  À medida que vamos terra adentro, uma magia azulada emana das águas profundas. Poucas horas, pela manhã, é o tempo que o nosso astro rei consegue vencer a entrada da gruta e lançar seus raios na superfície cristalina.
         A abóbada caverna, é decorada por estalactites, e a trilha por estalagmites e traventinos.
          Esta água, a pouco mais de noventa metros da superfície nada mais é que um afloramento do Aqüífero Guarani.
         As águas de um aqüífero, são aquelas que ocupam os espaços existentes entre as rochas do subsolo, assim como os rios, às águas subterrâneas são divididas em províncias, que geralmente abastecem os rios de superfície.
         No Brasil temos dez províncias documentadas: Amazonas, Parnaíba, São Francisco, Paraná, Centro-Oeste, Costeira e as dos Escudos setentrional, central, oriental e meridional.
         O Aqüífero Guarani ou da Bodoquena é a principal reserva de água doce da América do Sul. Estendendo-se pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e por partes dos territórios do Paraguai, Argentina e Uruguai. Pode conter aproximadamente 43 trilhões de metros cúbicos de água, para se ter uma idéia melhor: poderíamos dizer que é água suficiente para abastecer uma população de quinhentos milhões de pessoas por um período de um ano.
         Estes afloramentos, comuns em tantos outros lugares, mas aqui fazem o encanto da natureza. O terreno rico em calcário, faz com que os leitos dos rios sejam como um caminho “caiado”, por onde a água rola numa limpidez impar.
        No nosso último dia, fomos comprovar esta maravilha. Fizemos um passeio de flutuação pelo rio Sucuri, desde suas nascentes até cerca de 18oo metros abaixo. Com roupas de neoprene e equipamento de snorkel, nos deixamos levar pelas águas mansas do rio Sucuri.
         Um espetáculo de rara beleza, quase duas horas de observação da fauna e flora subaquática, passando lentamente pelo vidro do nosso snorkel.
         Um mundo novo, silencioso, cadenciado pela exuberância da natureza. Depois do passeio, um saboroso almoço, na sede da fazenda, com uma infra-estrutura admirável.
         No último dia ficamos descansando na nossa pousada, até o horário de partida para Porto Alegre.
         Saímos por volta das 14 horas, tínhamos pela frente cerca de 26 horas de viagem até a capital gaúcha. Uma viagem tranqüila, com tempo suficiente para reeditar na nossa memória os belos momentos que passamos em Bonito.