TRANS ANATOLIA
Esta foi uma viagem de surpresas. Não podia imaginar por mais que tivesse estudado e lido sobre o Irã, o que este lindo país pudesse me mostrar. O Irã ou a antiga Pérsia, lugar de cultura milenar, de cidades históricas e personagens como Dario, Xerxes, Cirus entre outros envolver tanta magia.
O atual Irã, ou antiga Pérsia esta encravada numa posição distinta entre o sul da Ásia e o oriente médio. Apresenta um clima árido e subtropical. A maior parte da nação esta localizada entre o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico.
O Grande Império Persa, fundado em 539 AC por Ciro, abrigava diversos povos e estados da antiguidade. Nos séculos IX AC e VII AC, um povo indo-europeu se estabelece na região, mas antes, muito antes desta época, por volta do III e II milênio AC, já encontramos artefatos que sugerem importantes assentamentos na região. Tabletes em terracota com uma linguagem desconhecida até então. Cerâmicas, jóias, peças funerárias mostram que a possível civilização de Tepe Sialk já tinha assentamentos em cidades como Susa, no Luristan.
Entre os séculos VII e VI AC são dominados por Medas. Devemos nos reportar geograficamente a localização da então Pérsia. Estamos em plena mesopotâmia, berço de antigas civilizações e cidades como Susa, Der, Assur, Nínive e Abal.
Vamos voltar um pouco ao futuro, fincamos os pés no período aquemênida, por volta de 528 AC. Cirus II o Grande, revolta-se contra as Medas e em pouco tempo amplia o Império Persa do Irã para a Mesopotâmia e Ásia Menor. Conquistas vão se avolumando, cai o Egito, e Dario I organiza o império sob a configuração de satrápias. Os gregos continuam sendo o grande problema para os persas. Lutas intermináveis até que em 480 aC Xerxes é derrotado pelos gregos nas batalhas de Salamina, Platéias e Mícali.
Artaxerxes, por volta de 430 AC, assina um acordo de paz, mas as lutas ainda continuam. Seguem-se outros soberanos, até que Alexandre o Grande derrota Dario III, tornando-se o grande rei. As lutas com os gregos seguem, brotam novas dinastias e divisões territoriais. Os romanos dominam a região, os Hunos fazem incursões ao país, mais tarde já em torno de 637 os árabes impregnam o país e fazem prevalecer sua religião. Mais tarde turcos soviéticos e americanos e por fim o fundamentalismo religioso se abate no Irã.
RELIGIÃO
Os iranianos atualmente professam o islamismo, mas não são árabes, são persas. Seus monumentos não glorificam deuses, mas sim os homens, é uma religião masdeísta, um deus primitivo e único Ahura-Mazdâ é cercado de gênios dos elementos.
O culto se assemelha aos cultos védicos, zoroastrismo.
RELACIONAMENTOS
Meus contatos na rua mostraram um povo muito gentil e sedento de informações sobre nossa visão ao seu respeito. O turismo receptivo segue bem organizado, pois tem um controle estatal rígido, priorizando o que eles tem de melhor, bons hotéis, bons guias e excelente alimentação e transportes para o turista.
A qualidade de vida do povo é relativamente boa, com bom suporte de saúde e trabalho e uma dedicação especial para a educação.
As cidades as quais passei, são muito boas, com um ótimo sistema viário, limpas e seguras. O país é bem cortado por ótimas rodovias bem sinalizadas e seguras. Na sua maior parte é um território plano e árido, vamos encontrar uma zona montanhosa e fértil no norte nas cercanias do Mar Cáspio, onde por sinal tem sua maior produção do famoso caviar de esturjão.
Na região fronteiriça com o Iraque, tem as maiores reservas de petróleo, e no sul, perto do Golfo Pérsico sua maior atividade agrícola.
Após este breve relato, para ilustrar um pouco a situação histórica, política, geográfica e econômica, vamos iniciar a descrição do passeio.
TURQUIA & IRÃ
O ponto alto desta viagem era conhecer o Irã, mas tinha vários problemas de ordem burocráticas, que limitavam a viabilização deste tour. Assim surge esta oportunidade de conhecer o Irã, seguindo uns roteiros novos, que ao mesmo tempo oportunizava conhecer um pouco mais da Turquia e acima de tudo, fazer uma rota desbravadora, entrando no Irã, por uma exígua faixa de terra, onde encontraríamos a Armênia, Iraque em cada lado atrás à Turquia e na nossa frente o Irã. Este foi à atração principal, entrar por terra e conhecer praticamente todo o país.
Para que tudo isso acontecesse tinha que chegar em Istambul, tarefa bem fácil, já que contamos com um vôo da Turkish Airlines, ligando São Paulo a capital turca.
Após doze horas e meia de vôo desde São Paulo desembarcava no Terminal Internacional de Istambul.
ISTAMBUL
A capital da Turquia é Ancara, situada na região central, mas a cidade mais charmosa e cosmopolita deste país, certamente é Istambul. Imponentemente abraça dois continentes, apenas separada pelo estreito do Bósforo, que serve de anel de ligação, entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro.
Istambul credita entre seus maiores atrativos a Mesquita Azul, a Catedral de Santa Sofia, o Grande Bazar, o Palácio de Tokapi, as cisternas, o museu arqueológico e o passeio pelo Bósforo.
Muito mais, esta esplêndida cidade tem para mostrar. Basta apenas ir se perdendo devagarzinho pelo centro da cidade vasculhando suas ruelas, casas otomanas, parques e jardins. Sentar numa confeitaria no centro degustando os deliciosos doces turcos e após fazer desaparecer o gosto de mel e pistache, com o aromático café turco.
Não vou me detalhar muito nesta cidade, pois esta é a quarta vez que estou aqui. Assim depois de dois dias de estada, atravessei a ponte que me leva ao continente asiático. As boas estradas seguiram pelo litoral, meu destino é Bursa-Ephesus-Konya.
Despendi praticamente uma semana visitando estas belas regiões que iam me introduzindo na Capadocia. Claro que toda a região é de extraordinária beleza. Vale a pena mencionar: Pergamum, Asklepion, Hierapolis, Pumukkale e Konya. Vimos cidades históricas, sítios termais com depósitos de calcário formando belas terraças, cidade subterrâneas, outras escavadas em rochas, com igrejas em seu interior, que ainda preservam belos afrescos.
O que me encantou nesta região, pois alem de já ter estado aqui em outras ocasiões, tinha me furtado de fazer, sinceramente por temor, o passeio de balão.
Os baloneiros turcos são mundialmente famosos pela sua perícia e habilidade. Destarte bem cedo fui para o ponto do passeio.
Dezenas de balões estendidos no chão eram inicialmente insuflados com ar provenientes de grande ventiladores, depois de um certo volume de ar introduzido, os baloneiros ligavam potentes maçaricos que iam aquecendo este ar. O balão iniciava a gerar forma, se erguendo lentamente. Todo este processo levou mais ou menos uma hora. Pronto, os balões estavam totalmente inflados e pareciam pedir para serem soltos. Embarcamos no cesto do nosso balão, éramos cerca de vinte e quatro pessoas distribuídas em quatro colméias dentro do balaio. Na parte central ia nosso piloto fazendo o controle da intensidade da chama, para ascender ou descender e outro comando para regular a rota, mas o fator preponderante era o vento, este que nos levou a flutuar lentamente num espetáculo mágico pelos céus da Capadocia.
A VIAGEM
Como havia dito, a Turquia, de Istambul até a Capadocia, visitara em ocasiões passadas, mas o extremo leste até a fronteira do Irã, eram desconhecidas. Praticamente não figuravam nos roteiros turísticos convencionais. Estamos a caminho de Erzurum já num território onde os traços europeus cedem espaço a traços nitidamente médios-orientais. Entramos numa região montanhosa, aparecem vilarejos de armênios, cidades com arquitetura marcantemente soviética.
Durante nossa longa viagem rodoviária até a fronteira iraniana, nos deparamos com muitos povoados que não respeitam fronteiras geográficas, mas seguem normas étnicas. Visitamos Kars com seu belo castelo fortaleza em Ani e seus jardins de afloramento de águas termais.
Estamos muito perto dos limites finais da Turquia, vamos nos espremendo numa faixa de terra compartilhada com a Armênia e Iraque.
A região é tensa, palco de constantes conflitos, aqui ninguém gosta de ninguém e todos têm suas razões para falarem mal dos vizinhos. Invasões, genocídios, tiranos e ditadores à parte; seguimos nosso caminho. Muito perto da fronteira surge o Monte Ararat, à esquerda da janela do nosso ônibus Montanha de mais ou menos cinco mil metros, com seu pico encoberto de neve, parece querer se esconder na bruma da manhã, mas à medida que o tempo passa o sol faz imperar sua vontade revelando o monte em toda sua plenitude.
O Monte Ararat só tem importância, por sua citação bíblica, pois seria o local onde a Arca de Noé tocou o solo firme após o dilúvio. Apenas isto, mas eu passei por ali, basta o registro.
Saímos muito cedo do hotel em Kars para seguirmos rumo a fronteira. A estrada verte por um terreno muito árido e com formações montanhosas assoreadas pelo vento. Chegamos à aduana turca e fizemos nossa saída do país, então tivemos que ir caminhando por cerca de 1000 metros por uma zona neutra, que antecede a aduana iraniana. Muita complicação, pois nossos passaportes tiveram que ser traduzidos para o persa e preencher os formulários de entrada nesta língua.
Sorte nossa que a guia iraniana nos esperava ao lado do guichê de entrada e fazia todos os tramites alfandegário. Todo este procedimento de saída e entrada no outro país nos custou mais de duas horas de espera. Tudo acertado, legalizados na Isamic Republic of Iran, fizemos o cambio e entramos no ônibus para seguirmos até a cidade onde almoçaríamos.
Estávamos ricos, pois os cem dólares americanos trocados foram convertidos a quase um milhão de riales. Embora soubesse de antemão que nossas despesas em alimentação estavam inclusas, tínhamos apenas algumas que deveríamos pagar, mas precisaríamos do dinheiro local para compras de artesanatos, água e outras coisas que nos fossem necessárias.
Paramos no centro da cidade em um restaurante, provavelmente estatal, que já nos aguardava com o almoço servido, embora estivéssemos com mais de duas horas de atraso. Tudo ocorreu perfeitamente bem e rumamos em direção a Tabriz.
Chegamos perto da meia noite, uma cidade muito grande e bem iluminada com uma grande movimentação pelas ruas, destarte o avançado da hora.
Nosso hotel era grandioso e luxuoso, pena que teríamos poucas horas de sono, pois por volta das sete horas da manhã sairíamos para um breve city tour e logo rumaríamos para o aeroporto local, onde tomaríamos o vôo para a cidade de Shiraz no sul do país.
Pouca noção o exíguo tempo nos deixou de Tabriz, por sorte nosso vôo foi direto para Shiraz sem fazer escala para conexão em Teheran.
SHIRAZ
Uma cidade com mais de um milhão e meio de habitantes situada a 1400 metros de altitude proporciona varias atrações.
Foi capital da Pérsia por várias dinastias, apresentam em sua volta os grandes monumentos do auge da civilização persa. Também é berço dos maiores poetas iranianos, como Hafez e Sadi, onde fiz uma visita a suas tumbas e ainda comprei um belo livreto de seus poemas em persa com tradução para o inglês. O livro por si só já é uma pequena obra de arte, e seu conteúdo é muito belo.
Ficamos o dia intero visitando a cidade fomos ver mausoléus, mesquitas, a bela fortaleza de Aeg Karim, e o Bazar Vakil.
Uma cidade que não adianta mostrar fotos ou tentar descrever, são lugares que sem “estar e sentir” não fazem sentido. Os templos são todos magníficos o bazar também é grandioso, mas não tem aquela agitação dos mercados comandados por árabes, onde impera a arte de vender. Aqui os vendedores são comedidos e até lentos, parecem que não procuram o futuro comprador, mas ficam ao seu dispor e espera. O que relato agora é um pouco paradoxal, pois em outros paises, como, por exemplo, o Egito, é muito estressante fazer comprar, pois os mercadores parecem não nos largarem de mão, chegando a nos seguirem varias quadras oferecendo insistentemente seus produtos.
Só para lembrar o famoso vinho licoroso, que conhecemos pelo nome de Sherez é nativo desta região, por isso o nome da cidade.
ISFAHAN
O ponto alto do Irã histórico ou da Pérsia se concentra nesta trecho entre Shiraz e Isfahan, exata pequena viagem entre as duas cidades proporciona uma completa visão da grandiosidade do Império Persa.
Vamos ter Persepolis, Fars, Naqsh e Rostam, Passargada. Isto tudo apenas no cainho antes de chegara a Isfahan, que deve ser um capítulo à parte em qualquer descrição.
THE GATE OF ALL NATIONS
O grande terraço proporcionado pelas montanhas foi o lugar escolhido por Dario O Grande (522 a 485 BC) para construir sua cidade.
Um pouco mais adiante esta Passargada, aonde vimos o imponente túmulo de Cirus e depois visitamos as incríveis tumbas lavradas na rocha. Nossa primeira impressão é reviver Petra na Jordânia.
São magníficas esculturas em pedra bruta, um pouco mais adiante, baixo relevos em Naqsh-e-Rostam.
Vamos deixar que as imagens falem um pouco mas alto, assim vou anexar nas páginas seguintes algumas imagens destes fabulosos sítios arqueológicos.
Vamos agora visitar a cidade de ISFAHAN, estar na praça Naghsh e Jahan por si só já é um acontecimento. Esta é a segunda maior do mundo, só perdendo em ÁREA para a do Vaticano, mas não tem comparação é um praça imensa e encantadora, cercada de prédios magníficos. A mesquita Sheikh Lotfollah preenche o lado esquerdo, depois seguem a Mesquita Imam. Todo o complexo é fechado por um quadrilátero de construções que abrigam um grande bazar, onde alem das lojas, vamos encontrar restaurantes e outras atividades comerciais.
À noite esta praça traz a comunidade iraniana, que em seus gramados fazem pic nics até a madrugada. O colorido das luzes dos palácios, o grande chafariz colorido no lago central da um clima diáfano de bem estar.
Outra visita que é imperdível, gastar uma tarde nas margens do Rio Zayande, ver o burburinho do povo sentado nas escadarias da ponte Shahrestan, ou da Khajou e Sio-se-pol.
KASHAN
Antes de chegar em Kashan, entramos num lugarejo nas montanhas. Abyaneh uma pequena vila de adobe encravada no sopé do Monte Karkas (3899 m). Passear pelas ruas estreitas, às vezes quase espremido por um local que vem na direção contraria mansamente conduzindo seu burrico, rumo a feira. Segundo uma companheira, que já esteve no Iêmen, disse-me que Sanna é muito parecido, só que em proporções maiores.
Aqui ficamos um longo tempo nas ruelas desta pequena cidade, depois fomos almoçar num restaurante típico.
Após o almoço seguimos viagem para Kashan, que não tem grande coisa para se ver, apenas o Bagh-e-Fin que é um complexo de jardins cercados por canais por onde afluem uns mananciais hídricos proveniente de um poço que atinge o lençol freático. Convém lembrar que estamos numa zona extremamente árida, e aqui temos um rico jardim de rosas e arvores, tudo providencia desta água subterrânea, que também alimenta a cidade.
Na manhã seguinte fomos para a capital Teheran, que já nos surpreendeu com as excelentes rodovias que dão acesso a esta feérica metrópole.
Nenhum comentário:
Postar um comentário