ROTA DOS AROMAS
Poderia chamá-la de qualquer outro nome, do incenso, da Rainha de Sabá, mas vamos ficar com os aromas.
Incenso geralmente são oriundos de defumações, mas gostaria de ser mais abrangente, falando de óleos aromáticos, folhas, raízes e flores. Tudo que possa emitir fragrâncias que estimulem o nosso olfato e nos proporcionem satisfação.
Gostaria de delimitar minha área de estudo para uma região mais específica, geograficamente falando me limitaria ao Yemem, Etiópia numa região chamada como o Chifre da África.
Uma região onde o Mar Vermelho se afunila dando inicio ao Golfo de Aden. No lado africano temos a Etiópia, Eritreia, Somália, Djibuti e do outro lado o Yemen.
A Eritreia conseguiu sua independência com a Etiópia e o Djibuti com a Somália.
Estes paises, ou melhor reinos, falando de mais de 1000 aC, tinham grande comercio com seus vizinhos. A atual Somália tinha um mercado promissor com o Egito. A Etiópia com o Yemen e este com os reinos da Palestina. Segundo alguns historiadores o Rei Salomão convidou a então rainha de Sabá para visitá-lo. Desta visita frutificou um filho, que para os Etíopes é seu primeiro rei Menelik, pai de toda a linhagem etíope.
Já o Yemem reivindica a rainha de Sabá como sua rainha e conseqüentemente a herdeira do Reino de Sabá, atual Yemen, ou Arábia Feliz como os romanos a chamavam devido a suas terras férteis.
Esta região abriga preciosidades arqueológicas e testemunhos preciosos do passado.
Que belo passeio, se as condições de segurança e os entraves burocráticos não existissem, seguirmos do Cairo descendo o rio Nilo, passando por Luxor e prosseguindo até Cartum, no Sudão e indo com destino a Asmara na Eritreia ou então para Adis Abeba na Etiópia e finalizar na Passagem Al Mandab na cidade de Djibuti, as margens do Golfo de Tadjoura. Atravessar este pequeno estreito e chegar no Yemem, no Reino de Sabá, desembarcando no porto de Aden. Seguiríamos por terra atravessando ao longo da Península Arábica, passando pelo Yemem, Omam e finalizando no Estreito de Ormuz. Uma pequena travessia deste e já estaríamos no Irã e poderíamos seguir livremente para a Índia, via Paquistão.
Na parte norte da península, caso preferíssemos poderíamos seguir até Bagdá, Teheran e seguir pela Rota da Seda passando pelo Casaquistão,Uzbequistão, Quirguistão e chegarmos finalmente na China.
Outra variante seria rumar ao norte até Istambul e entrar na Europa ou por mar alcançar as ilhas Gregas ou até mesmo a costa italiana.
Este é um roteiro mágico, por onde cruzou as civilizações, onde floresceu o homem...onde tudo começou...onde tudo é historia e romantismo.
Grandes civilizações, milhares de pequenos reinos prosperaram e sucumbiram nesta região recheada de testemunhos históricos. Para mim estes são os lugares mais fascinantes da terra, pena que hoje relegados ao esquecimento, e convulsões sociais, políticas e religiosas. Sentimentos encravados no desgosto do ostracismo histórico. Enaltecemos monumentos atuais, ou de um passado mais recente, ignoramos o longo caminho, de como as coisas chegaram até o mundo civilizado. Não pensamos um pouco antes da Acrópole ser o expoente do mundo grego ou mesmo do Coliseu romano, onde estes mandavam no então conhecido mundo.
A historia é ingrata, conhecemos e estudamos a Historia Universal. O mundo ocidental...vamos procurar numa livraria ou mesmo numa biblioteca a historia da Índia, China e até mesmo do Sudoeste Asiático?
Lá parece que não existiu historia, que as coisas simplesmente apareceram. Civilização Harappa, Mohenjo-Daro, China, Japão e tantas outras que simplesmente o mundo esqueceu.
Falei da rota dos aromas e num abrir de aspas fugi do tema. A natureza humana tem certas peculiaridades, não sei se do inconsciente coletivo ou atávicas mas que se perpetuam na evolução das civilizações.
Antropólogos, evolucionistas de algumas correntes atribuem aos homens comportamentos estereotipados.
O pão, o mel, o vinho e os sacrifícios principalmente por cremação estão presentes em todas as civilizações. O pão como fonte de alimento e manutenção da vida. O mel como estrato sublime da natureza como forma de amor, agrado, medicamento e satisfação. O vinho como medicamento e pela capacidade de levar o homem ao entorpecimento e com isto tirar sua razão e coloca-lo num outro mudo, irreal e fantástico, que para ele seria o reino das divindades. O vinho seria um passaporte para o mundo divino. A cremação elevaria a fumaça aos céus, a morada dos deuses.
O incenso faz a parte deste complexo, dispensaria os sacrifícios e a fumaça aromática se elevaria até as divindades dando-lhes prazer e ao mesmo tempo purificando os mortais.
Estes aromas que o mundo tanto desejava, viajavam por estas rotas. Mirra, láudano, olíbano, boswellia, feno grego e outras trafegavam por estas rotas a peso de ouro. O insencus do latim despertar emoções.
Viajar, por qualquer lugar, não é só trazer na câmera as imagens, é trazer a emoção. Trazer os aromas, a historia a procura das origens, a compreensão do que somos e porque somos.
Buscar a razão pela qual uns acordaram no escuro, enquanto outros ainda dormiam, e neste escuro criaram um mundo novo incompreensível para aquele que acordaram no amanhã seguinte, mas numa época diferente.
Quantos gênios a humanidade produziu que estão esquecidos, ou que simplesmente nasceram no escuro, num mundo que outros não viam sua luz. Na historia que conhecemos acredito o maior gênio da humanidade contemporânea seja Leonardo da Vince. Um homem ávido pelo saber, brilhante em todas as esferas do conhecimento humano. Pintor, matemático, anatomista, arquiteto, estrategista, astrônomo, biólogo e escritor, apenas para mencionar algumas de suas aptidões. Leonardo descasava de pintar dissecando moscas e depois partia para projetos totalmente diferentes.
Não quero desmerecer Leonardo, quero lembrar que o mundo é uma fábrica de genialidades. Estatisticamente nos milênios que lhe antecederam quantos grandes homens pisaram essas terras...
ROTA DOS AROMAS
Poderia chamá-la de qualquer outro nome, do incenso, da Rainha de Sabá, mas vamos ficar com os aromas.
Incenso geralmente são oriundos de defumações, mas gostaria de ser mais abrangente, falando de óleos aromáticos, folhas, raízes e flores. Tudo que possa emitir fragrâncias que estimulem o nosso olfato e nos proporcionem satisfação.
Gostaria de delimitar minha área de estudo para uma região mais específica, geograficamente falando me limitaria ao Yemem, Etiópia numa região chamada como o Chifre da África.
Uma região onde o Mar Vermelho se afunila dando inicio ao Golfo de Aden. No lado africano temos a Etiópia, Eritreia, Somália, Djibuti e do outro lado o Yemen.
A Eritreia conseguiu sua independência com a Etiópia e o Djibuti com a Somália.
Estes paises, ou melhor reinos, falando de mais de 1000 aC, tinham grande comercio com seus vizinhos. A atual Somália tinha um mercado promissor com o Egito. A Etiópia com o Yemen e este com os reinos da Palestina. Segundo alguns historiadores o Rei Salomão convidou a então rainha de Sabá para visitá-lo. Desta visita frutificou um filho, que para os Etíopes é seu primeiro rei Menelik, pai de toda a linhagem etíope.
Já o Yemem reivindica a rainha de Sabá como sua rainha e conseqüentemente a herdeira do Reino de Sabá, atual Yemen, ou Arábia Feliz como os romanos a chamavam devido a suas terras férteis.
Esta região abriga preciosidades arqueológicas e testemunhos preciosos do passado.
Que belo passeio, se as condições de segurança e os entraves burocráticos não existissem, seguirmos do Cairo descendo o rio Nilo, passando por Luxor e prosseguindo até Cartum, no Sudão e indo com destino a Asmara na Eritreia ou então para Adis Abeba na Etiópia e finalizar na Passagem Al Mandab na cidade de Djibuti, as margens do Golfo de Tadjoura. Atravessar este pequeno estreito e chegar no Yemem, no Reino de Sabá, desembarcando no porto de Aden. Seguiríamos por terra atravessando ao longo da Península Arábica, passando pelo Yemem, Omam e finalizando no Estreito de Ormuz. Uma pequena travessia deste e já estaríamos no Irã e poderíamos seguir livremente para a Índia, via Paquistão.
Na parte norte da península, caso preferíssemos poderíamos seguir até Bagdá, Teheran e seguir pela Rota da Seda passando pelo Casaquistão,Uzbequistão, Quirguistão e chegarmos finalmente na China.
Outra variante seria rumar ao norte até Istambul e entrar na Europa ou por mar alcançar as ilhas Gregas ou até mesmo a costa italiana.
Este é um roteiro mágico, por onde cruzou as civilizações, onde floresceu o homem...onde tudo começou...onde tudo é historia e romantismo.
Grandes civilizações, milhares de pequenos reinos prosperaram e sucumbiram nesta região recheada de testemunhos históricos. Para mim estes são os lugares mais fascinantes da terra, pena que hoje relegados ao esquecimento, e convulsões sociais, políticas e religiosas. Sentimentos encravados no desgosto do ostracismo histórico. Enaltecemos monumentos atuais, ou de um passado mais recente, ignoramos o longo caminho, de como as coisas chegaram até o mundo civilizado. Não pensamos um pouco antes da Acrópole ser o expoente do mundo grego ou mesmo do Coliseu romano, onde estes mandavam no então conhecido mundo.
A historia é ingrata, conhecemos e estudamos a Historia Universal. O mundo ocidental...vamos procurar numa livraria ou mesmo numa biblioteca a historia da Índia, China e até mesmo do Sudoeste Asiático?
Lá parece que não existiu historia, que as coisas simplesmente apareceram. Civilização Harappa, Mohenjo-Daro, China, Japão e tantas outras que simplesmente o mundo esqueceu.
Falei da rota dos aromas e num abrir de aspas fugi do tema. A natureza humana tem certas peculiaridades, não sei se do inconsciente coletivo ou atávicas mas que se perpetuam na evolução das civilizações.
Antropólogos, evolucionistas de algumas correntes atribuem aos homens comportamentos estereotipados.
O pão, o mel, o vinho e os sacrifícios principalmente por cremação estão presentes em todas as civilizações. O pão como fonte de alimento e manutenção da vida. O mel como estrato sublime da natureza como forma de amor, agrado, medicamento e satisfação. O vinho como medicamento e pela capacidade de levar o homem ao entorpecimento e com isto tirar sua razão e coloca-lo num outro mudo, irreal e fantástico, que para ele seria o reino das divindades. O vinho seria um passaporte para o mundo divino. A cremação elevaria a fumaça aos céus, a morada dos deuses.
O incenso faz a parte deste complexo, dispensaria os sacrifícios e a fumaça aromática se elevaria até as divindades dando-lhes prazer e ao mesmo tempo purificando os mortais.
Estes aromas que o mundo tanto desejava, viajavam por estas rotas. Mirra, láudano, olíbano, boswellia, feno grego e outras trafegavam por estas rotas a peso de ouro. O insencus do latim despertar emoções.
Viajar, por qualquer lugar, não é só trazer na câmera as imagens, é trazer a emoção. Trazer os aromas, a historia a procura das origens, a compreensão do que somos e porque somos.
Buscar a razão pela qual uns acordaram no escuro, enquanto outros ainda dormiam, e neste escuro criaram um mundo novo incompreensível para aquele que acordaram no amanhã seguinte, mas numa época diferente.
Quantos gênios a humanidade produziu que estão esquecidos, ou que simplesmente nasceram no escuro, num mundo que outros não viam sua luz. Na historia que conhecemos acredito o maior gênio da humanidade contemporânea seja Leonardo da Vince. Um homem ávido pelo saber, brilhante em todas as esferas do conhecimento humano. Pintor, matemático, anatomista, arquiteto, estrategista, astrônomo, biólogo e escritor, apenas para mencionar algumas de suas aptidões. Leonardo descasava de pintar dissecando moscas e depois partia para projetos totalmente diferentes.
Não quero desmerecer Leonardo, quero lembrar que o mundo é uma fábrica de genialidades. Estatisticamente nos milênios que lhe antecederam quantos grandes homens pisaram essas terras...
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