sexta-feira, 17 de junho de 2011

SERVIA E MONTENEGRO

                          SERVIA E MONTENEGRO


A antiga Iugoslávia é fruto de uma Constituição no pós II Grande Guerra, onde foi criada uma Federação de seis Repúblicas:
                      Bósnia
                      Herzgóvina
                      Croácia
                      Macedônia
                      Montenegro
                      Sévia
                      Eslovênia

         A Servia ganhou duas províncias autônomas: O Kosovo com uma maioria étnica albanesa e o Voivodina com substancial minoria húngara.
         Atualmente apenas a Servia e o Montenegro permanecem na federação, mas com planos agora para 2006 de fazerem um plebiscito para resolverem o desmembramento.
         A antiga Iugoslávia foi um caldeirão de etnias:
                      63%           sérvios
                      14%           albaneses
                       6%             montenegrinos
                       4%             húngaros
                      13%            de outras etnias

         Os habitantes da Eslovênia, Macedônia, Montenegro, Bósnia e Herzegovinia descendem de povos eslavos, depois temos mesclados cerca de 1 a 2 % de mulçumanos, gregos, turcos e albaneses entre outros. Isto é um verdadeiro barril de pólvora, pois a maioria da população professa o cristianismo ortodoxo e há outras minorias religiosas. Estes fatores sempre foram um estopim para constantes conflitos. A primeira Grande Guerra Mundial teve suas origens em conflitos nesta região. Ainda hoje, já em pleno século XXI, ainda guardamos cicatrizes das tragédias do Kosovo entre outras.
         A atual Servia e Montenegro que visitei, situa-se no centro da Península Balcânica e tem a cidade de Beograd como capital.
         Beograd é uma cidade na confluência dos rios Savo e Danúbio, onde espalha sua população de pouco mais de um milhão e meio de habitantes.
         Parti por volta das 16 horas da tarde de Sofia, um ônibus velho e reumático arrastou-se pelas estadas da Bulgária em direção a fronteira com a Servia e Montenegro.
         Pouco mais de oitenta minutos de viagem, já estávamos na fronteira. Uma burocracia alfandegária nos reteve por mais de duas horas nesta aduana.
         A herança do regime comunista, seus entraves burocráticos impediram-me de trocar meus dólares pela moeda Servia, o dinar, pois não havia posto de troca na fronteira.
         Seguimos viagem por uma região agrícola e gradativamente fomos entrando, já no final da tarde numa região montanhosa. A estrada ia ficando mais estreita e com uma serie de túneis escavados na rocha nua. Por volta das 21 horas chegamos a Niss, uma grande cidade da Sevia.
         Aqui ficamos cerca de uma hora esperando a conexão para seguir viagem até Beogrado.
         Aguardava meu próximo ônibus no terminal rodoviário de Niss, sem um único dinheiro nacional no bolso, apenas dólares e alguns Lavs que me haviam sobrado da Bulgária.
         Não preciso dizer que estava “azul” de fome e sede e uma vontade imensa de ir ao banheiro, que naturalmente era pago.
         Sem dinheiro, sem entender a língua local e sem ser entendido, minha situação era no mínimo calamitosa.
         Felizmente um atencioso casal bósnio, num inglês rudimentar entenderam minha aflição e me emprestaram algumas notas de dinares, ao menos para eu poder usar os sanitários. A fome e a sede eu iria, e deveria guardar para minha chegada em Beograd.
         Finalmente o ônibus chegou, partiu e quebrou nos quarenta e cinco minutos seguintes. Foram mais de duas horas parados na estrada. Segui a viagem, a esta altura não éramos mais que cinco pessoas a bordo. Os que não roçavam, comiam e eu não entendia nada, e nem sabia para onde estava indo, e onde deveria chegar.
         Duas da manhã, o ônibus para num lugar, que deveria ser uma cidade e o motorista diz algo. Todos descem e eu indeciso pego minha mala e pergunto?
-Beograd
 Repito insistentemente...Beograd...Beograd...Beograd
Ele rosna alguma coisa que me dá a impressão de ser uma afirmação, assim desembarco do ônibus.
         Estou agora sozinho, num lugar mal iluminado e completamente ermo. Analiso a situação e tal como a mariposa, procuro seguir para um lugar mais iluminado. Chego a uma avenida e para meu maior prazer avisto um grande luminoso. HOTEL BRISTOL.
         Caminho até ele e entro, o porteiro da noite, grune:
-Passapot
Entrego meu passaporte e quase lhe arranco a chave do meu tão sonhado quarto, tudo que eu queria era um pouco de água, um banho e uma cama.
         Não vou falar mais do hotel, pois já fiz algumas considerações anteriormente, mas foi uma grande surpresa, apesar de que naquelas circunstancias e estava pronto para qualquer coisa que pudesse acontecer.
         No dia seguinte pude constatar que o Bristol estava no entro da cidade, praticamente ao lado da Gare Central e do Terminal Rodoviário. Troquei o dinheiro no hotel, tomei o café da manhã e bebi todas as coca colas que eu pude agüentar. Estava alimentado e hidratado, pronto para conhecer Beogrado.
         A cidade é grande, com imponentes construções, salvo dizer que alguns prédios públicos no centro da cidade ainda guardam cicatrizes dos bombardeios e outros ainda exibem varias perfurações oriundas dos combates urbanos.
         São amplos bulevares e grandes avenidas. Iniciei meu conhecimento da cidade pela parte alta, onde o Rio Savo encontra as águas do Danúbio. Aqui está localizada a ruína da antiga Fortaleza Kalemegdan, hoje transformada num agradável parque. Aqui do alto tem-se uma bela vista panorâmica da cidade. Fui descendo em direção ao centro antigo da cidade até chegar a Praça da República e depois na Praça Terazije, onde confluem dois magníficos bulevares: Teraziie Milana e Kralija.
         Segui pela Milana até a Catedral Topcider. Praticamente concentrei meus passeios por esta região da cidade, por ser a mais movimentada comercialmente e com belos prédios históricos.
         Meu local preferido foi no final do calçadão, perto da avenida Kralja, no restaurante e cafeteria Madera, um aprazível recanto central, onde se pode tomar um gostoso café expresso e ver a vida da cidade rolar.
         O povo é muito simpático e solicito, sua alimentação é muito boa, são loucos por croassants, sanduíches e pães doces. Tem inúmeros quiosques pela cidade vendendo estas guloseimas.
         Os restaurantes são de ótimo nível, a comida é de boa qualidade e muito barata. Predominam os grelados, tanto de peixes, aves como de carne vermelha.

















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