DE VOLTA AO...LINDO LUGAR
Sou categórico quando questionado sobre o lugar mais lindo que já visitei. A Patagônia.
Acrescento, logo a seguir que a Nova Zelândia é um sério concorrente. Claro que ambos lugares colocados no sentido estritamente natural. As cores e as formas que a natureza presenteou estes sítios, não tem similar no mundo inteiro.
Sendo um pouco mais abrangente e justo. Pontuando o item apenas como parque nacional, seria extremamente injusto esquecer Yosemite. Este indiscutivelmente, sem nenhum bairrismo é o mais belo Parque Nacional do Mundo.
A minha “bíblia” de lugares é o livro da Patrícia Schultz, 1,000 Places to see before you die. É um trabalho belíssimo onde a autora faz um apanhado de tudo que de mais lindo existe no mundo, tanto no que se refere a belezas naturais como as feitas pelo homem.
Outra “bíblia” é o livro El Patrimônio Mundial do guias Périplo com o aval da UNESCO.
Não gostaria de ser tachado como seguidor de manuais. Eu acho um lugar bonito, porque eles me fazem sentir a sua beleza, e não porque um autor os assim considera. Não mais me impressionam os top de list do mundo. Os lugares imperdíveis, ou as dez mais belas viagens. Acho que cada lugar é único e tem seu encanto próprio, mas tem aqueles que aguçam mais nossos sentidos por uma razão ou outra. Assim é que vejo este mudo que tanto amo e não me canso de percorrer.
Voltemos a Patagônia; o que é a Patagônia?
Um lugar distante, no terço distal da Argentina, no final do continente americano. A região abre suas portas em Trelew, vamos encontrar aqui a pinguineira, uma enorme concentração de pingüins. Um pouco adiante a loberia, agora são os barulhentos e mal cheirosos mamíferos marinhos. Saindo um pouco do continente, em certas épocas do ano, poderemos apreciar as evoluções das baleias.
Viajando pela carreteira austral n° 1, prosseguimos costeando o Oceano Atlântico até Comodoro Rivadavia. Um pouco mais abaixo chegaremos em Rio Gallegos.
É hora de um desvio para o interior. Dobramos em direção ao oeste e vamos para Calafate. Aqui vamos encontrar um dos maiores espetáculos da natureza: O Glacial Perito Moreno e os lagos. O Lago Argentino proporciona um passeio inesquecível. Um dia inteiro de navegação pelos mais belos lugares da terra. Água, glaciares, icebergs, florestas de lengas tudo fundido num espetáculo único da criação.
Vamos um pouco mais ao oeste, atravessando a fronteira passamos ao Chile. Estamos agora nas margens do Oceano Pacifico. Porto Natales nos abre os braços.
Estamos muito perto do Parque Nacional Torres Del Paine. Aquelas imagens dos picos de pedra, que aparecem como símbolo das torres sempre fotografadas ao entardecer, onde os raios do sol lhe conferem um colorido avermelhado. Infelizmente, as imagens mostradas nos guias e prospectos turísticos, são muito difíceis de se observar. Como o clima na região é muito instável, provavelmente a maioria dos turistas, vão vê-los encobertos por nuvens. Graças às condições meteriológicas, quando eu as visitei pude contemplá-los no mais perfeito céu azul. Apenas não consegui fotografa-los como aparecem nos cartões postais devido ao tempo. Tais fotos são exclusivas de uma determinada época do ano e horário, coisa que nos turistas não dispomos. Podemos ver o que “aquele dia do passeio” nos oferece. A foto do cartão postal é para os repórteres fotográficos, que na maioria das vezes ficam meses perseguindo a hora certa da foto.
O parque Torres Del Paine é muito bonito. Sinceramente eu esperava mais, em primeiro lugar ele é muito grande. Necessitamos no mínimo uns cinco dias para conhecê-lo bem. Fizemos um reconhecimento relâmpago do parque. Circulamos em torno de suas montanhas e tivemos uma noção da sua imponência.
Porto Natales é ainda porta de saída para se conhecer os inúmeros canais que ligam o continente, ao mar aberto. Vários navios fazem passeios regulares pelos fiordes chilenos. O Skorpios é um deles, há vários outros roteiros pela região. Alguns indo até o Canal de Beagle.
Nós seguimos nosso rally por via rodoviária, comendo todo o pó patagônico até alcançarmos Ushuaia.
A Ilha Grande da Terra do Fogo é praticamente um parque nacional. Foi criado em 1960 com uma área de 63 mil hectares indo até a fronteira com o Chile. Uma região de bosques subantárticos, tendo como representantes as árvores denominadas lega e coihue.
O clima é muito instável, geralmente frio e úmido com grandes índices pluviométricos podendo atingir os 700 mm anuais.O inverno é muito frio, com dias muito curtos. O mar influencia muito o clima na região, mas no inverno é normal a presença de grandes nevascas e temperaturas inferiores a zero graus.
Entre inúmeras atrações, posso ressaltar o passeio de catamarã pelo canal de Beagle. Saímos de Ushuaia pela sua baia e navegamos pelo estreito entre a Argentina e a ilha de Navarino que pertence ao Chile. Fomos até a Bahia Lapataia passando pela ilha dos pássaros, farol Lês Eclaireurs, ilha Gable e Ilha Martillo.
Voltando ao continente, devemos atravessar novamente o Estreito de Magalhães em Punta Arenas (Chile) e ir navegando pelos fiordes. Voltando a Punta Arenas podemos seguir em direção a Argentina até Rio Gallegos ou seguir em território chileno até Puerto Natales, novamente por uma estradinha empoeirada. Aqui podemos embarcar novamente e fazer um magnífico passeio pelo fiorde Ultima Esperanza e Canal Senoret. O circuito irá nos brindar com cenários inesquecíveis. Glaciares, estâncias e lugarejos perdidos do mundo.
As opções na Terra do Fogo são muito grandes, podemos optar por uma variedade enorme de passeios e atividades, mas o toque de mestre, é o grandioso espetáculo que a natureza nos oferece.
Em crônicas anteriores, sempre me referia a Terra do Fogo como ‘um lindo lugar “. Principalmente Ushuaia, talvez por ficar mais distante. Ser a cidade mais austral do planeta, embora isto seja refutado pelos chilenos, que insistem em afirmar que sua cidade de Port Willians é a cidade mais austral. Em contrapartida os argentinos argumentam, dizendo que não é cidade, mas apenas uma base militar. Briga entre vizinhos, não sou eu quem vai opinar. Certo que a imagem que tinha de Ushuaia foi diluída. Cheguei na cidade com uma lembrança de uma cidade pacata, perdida nos confins da América. Encontro uma cidade cosmopolita, irreconhecível. A cidade toma os ares de Bariloche, toda voltada ao turismo. A grande vedete da região ainda é a região dos glaciares. Perito Moreno continua a reinar e encantar com maestria, justificando o nosso deslocamento de quase seis mil quilômetros só para vê-lo”.
Agora meu roteiro pela Terra do Fogo está completo. Perito Moreno e Torres Del Paine estão juntas no mesmo álbum. Na primeira vez que estive aqui, não pude passar para o lado chileno, devido aos conflitos de fronteira, apenas sobrevoei a região. Agora atravessei a região via rodoviária. Viagens duras e cansativas, muito pó e muitas horas num banco de ônibus, mas valeu a pena.
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