terça-feira, 31 de maio de 2011

TURQUIA & BALCÃNS

                            Turquia e Bálcãs


         Aconteceu tudo como eu havia previsto. Estou agora em casa, no inicio do mês outubro de 2005, escrevendo sobre minha última viagem.
         Saí de Porto Alegre um pouco estressado, o que já é normal, quando tenho muitas horas de vôo pela frente. Para aumentar a ansiedade naquela manhã de domingo chovia muito. Meu vôo para São Paulo partia às 6:30, apesar do interminável dilúvio o RG 2127 decolou no horário previsto e pouco depois, às 8:15 estava pousando no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
         O vôo para a Itália só partiria as 15:15, assim, como já estou habituado fiz uma longa espera pelo aeroporto. O AZ 675 decolou no horário com destino a Roma, o confortável Boing 777-200 cobriu em onze horas, num vôo tranqüilo, o percurso São Paulo/Roma, desembarcando nesta cidade às 7:30 horário local.
         Esperei até às 12:05 quando o AZ 702, um MD 80, me levaria finalmente até Istambul. Finalmente após cerca de duas horas de vôo, desembarcava pontualmente às 15:25, horário local, no Aeroporto Internacional de Istambul.
         Fui para o hotel, após um breve descanso, sai para rever a cidade. Meu hotel ficava cerca da Santa Sofia e Mesquita Azul, poucas quadras me separavam do centro turístico. Fiquei circulando pela região, visitando a Igreja Santa Sofia, o Hipódromo e a Mesquita Azul, já anoitecia quando entrei num pequeno restaurante no centro da cidade e jantei, um pouco antes de voltar ao hotel, sentei num café e fiquei tomando um espresso vendo a noite encobrir os minaretes da mesquita Azul.
         No dia seguinte, o pessoal do turismo receptivo, com um bom atraso, veio buscar-me no hotel para o city tour.
         Fomos inicialmente ao Bazar Egípcio, um souk pequeno, mais dedicados às especiarias e doces. O Grande Bazar é um pouco mais distante, e possui centenas de ruelas e milhares de pequenos estabelecimentos comerciais. Mais tarde formos ao porto, onde embarcamos para um passeio pelo Bósforo.
         Bósforo é um estreito de mais ou menos 36 Km que separa o Mar Negro do mar de Mármara, que por sua vez é um mar exclusivamente turco, que só vai se abrir no Estreito de Dardanelos para o Mar Egeu e posteriormente no Mediterrâneo.
         Navegamos por três horas, passando pelo Bósforo e Corno de Ouro. O Estreito do Bósforo divide a Europa da Ásia, divide também Istambul numa parte européia e outra asiática. Uma bela ponte, Sultão Moahmet, com 2 Km de extensão, une as duas partes.
         Durante o passeio, ora apreciávamos a costa européia, ora a costa asiática. Inúmeras mansões, mesquitas, fortificações e hotéis de luxo bordavam a costa.
         Quando retornamos do passeio, aproveitamos os resto da tarde para fazer outros passeios pela cidade. Aproveitei para jantar no terraço do meu hotel, Erboy, onde a cidade se descortinava a partir de minha mesa. Foi um lindo crepúsculo, a cidade foi se tingindo de vermelho e as águas do Bósforo cintilavam cadenciadamente naquele momento único.
         Na manhã seguinte partimos em direção a Ankara, a capital da Turquia. Uma moderna autopista nos conduziu rapidamente a capital turca. Uma cidade moderna, com um maravilhoso sistema de transporte público, ruas arborizadas, prédios e lojas modernas.
         Visitamos o fabuloso Museu da Civilização Anatólica e o Memorial de Ataturk, que é considerado o pai da Turquia moderna, devido ao seu trabalho de unificação e modernização.
         No outro dia, rodamos cerca de 280 Km até a Capadocia, no meio do caminho paramos para visitar um lago salgado, agora apenas uma extensa salina, no meio de um vale situado mil metros acima do nível do mar.
         Capadocia significa “região cheia de belos cavalos”, geologicamente falando, trata-se de um imenso vale vulcânico há mais de 1000 metros acima do nível do mar. Vê-se ainda no horizonte uma coroa de vulcões, atualmente extintos, sobressaindo-se os vulcões Argera e Erciyes.
         Estes e outros, em tempos muito e pouco remotos, apresentavam grande atividade. Encontram-se ainda hoje em algumas grutas pinturas rupestre destes vulcões em atividade, expelindo fumaça e magma.
         Naqueles tempos, estes vulcões expeliram grandes quantidades de cinza vulcânica, que unidas a matérias calcários deram origem a um tipo de rocha sedimentar que conhecemos pelo nome de pedra pomes, que é um tipo de lava espumante, extremamente vesicular e muito fácil de ser escavada. Posteriormente outros derrames de lava  cobriram este primeiro com uma camada fina de basalto. Milênios de erosão aeólica e hídrica, esculpiram caprichosamente as formações que atualmente encantam na Capadocia.
         Assim encontramos as habitações trogloditas, os chamados chapéus de fada e os castelos.
         Visitamos inicialmente a Cidade Troglodita de Dernkuyu, onde cristãos escavaram na rocha porosa, vários andares no subsolo, para se protegerem das invasões dos bárbaros e árabes.
         Seguimos para o Vale do Goreme, onde encontramos mais escavações na rocha, com igrejas ortodoxas e belos afrescos religiosos em suas paredes.
         A região toda tem um aspecto inusitado. Salpicada de formações pontiagudas, e rendilhadas pela mão humana. A cor clara da rocha, com o azul suave do céu deu uma sensação inusitada aos nossos sentidos.
         Aproveitamos a noite, para ir assistir um espetáculo, num caravanserai, dos Dervixes Dançantes. Foi um espetáculo mágico, uma hospedaria das antigas caravanas, uma noite de lua cheia, a música de flautas e tambores, um deserto silencioso e a dança rodopiante dos dervixes os levando ao transe hipnótico, deixou uma atmosfera indescritível.
         No dia seguinte fomos à cidade de Konia, visitando a Mesquita Verde, onde estão os corpos dos sufistas dançantes.No final da tarde chegamos a Pumakkale. Visitamos a cidade do sol, Heliopolis, onde os antigos usando as fontes termais, predicando curas milagrosas, originaram o desenvolvimento de uma grande cidade. A poucos metros da cidade encontra-se os famosos terraços calcários, resultantes do continuo fluxo das águas termais ricas em enxofre, ferro e outros minerais que dão um colorido especial e originando belas piscinas tépidas. Semelhantes as que encontramos nos EUA, em Mammoth Hot Spring, no Yellowstone, sem preconceitos as do parque americano são infinitamente mais lindas.
         Ao anoitecer fomos para o nosso hotel, em Kusadasi, um agradável balneário as margens do Mar Egeu, de onde partem diversos cruzeiros para a Grécia.
         No outro dia visitamos a cidade de Bursa e seguimos a viagem de retorno para Istambul, aonde chegamos ao final da tarde.
         Fui ao hotel, tomar um banho e sai em direção a Gare Central, para tomar o trem com destino a Sofia. O horário de partida do trem éra às 22 horas, mas antes das 20 horas eu já aguardava ansioso na plataforma o famoso Orient Express.
         Fiquei numa cafeteria, junto à plataforma de embarque, aguardando a chegada do trem 478 que me levaria para a Bulgária. Enquanto isso meus pensamentos retornavam aos 2580 Km que tinha percorrido até então em território turco. Uma bela viagem que iniciava penetrando pelo interior do país e retornava margeando o Mar Egeu. Agora estava preste a iniciar uma nova etapa; a travessia dos Bálcãs até a Servia e Montenegro.
         Viajava por enquanto, na terra da fantasia, imaginando aquele trem, aquela quase lenda, partindo de Londres, numa noite brumosa em Vitória Station, rangendo languidamente nos trilhos até Gare d Est em Paris seguindo por Dusseldorf, Colônia, Frankfurt, Zurique, Insbruck até chegar na estação de Santa Lucia em Veneza.
         A última etapa seria Veneza/Istambul, que eu deveria fazer nas próximas horas. Finalmente o trem encostou, uma composição longa e de aspecto um tanto...digamos sofridas. Sabia o número do meu vagão e iniciei a procura-lo.
         Um vagão velho, desconfortável e mal cheiroso. Um vagão de segunda classe de construção russa, minhas companheira de viagens duas estudantes eslovenas que combinavam em gênero, grau e numero com aquele vagão.
         A viagem que pensara ser de no máximo de doze horas, transformaram-se em sofridas 16 horas.
         Chegava no inicio da tarde em Sofia, troquei alguns dólares na estação e fui para o hotel. Após ter saciado a sede e a fome que me acompanhava desde a estação de Istambul, saí pela rua à procura de uma agencia de turismo, para reservar no dia seguinte o passeio ao Monastério de Rila, situado cerca de 120 km da cidade em cima das montanhas homônimas.
         Foi um belo passeio, em todos os sentidos, com agradáveis surpresas, destarte a chuva fina que insistia em cair.
         Aconselhado pela guia de Rila, desisti de seguir via ferroviária até Beograd, e comprei uma passagem de ônibus até a capital da Servia.
         Outra viagem cansativa, mais de nove horas, com um transbordo em Nis e para finalizar com chave de ouro, o ônibus parou nalgum lugar, às 1:20 da madrugada com o motorista dizendo:
-Beograd...Beograd
         Antes de ser expulso do ônibus, resolvi juntar minhas bagagens e descer. Estava sozinho, na madrugada, num largo mal iluminado e deserto, que o motorista insistia dizer: Beograd.
         Que fazer? Só me restava procurar algum hotel pelas imediações. Não tinha nenhum dinheiro sérvio, apenas dólares; não tive oportunidade de fazer câmbio anteriormente. Nem dinheiro para ir ao banheiro em Niss, tinha, o qual me foi pago por duas simpáticas croatas que sentiram minha situação desesperadora. Agora na madrugada, sem dinheiro, sozinho não sabia onde, só me restava caminhar até um lugar mais iluminado e reavaliar minha situação.
         Felizmente ao dobrar uma esquina, vi um letreiro salvador: HOTEL BRISTOL.
         Corri até ele, esbaforido entrei. O porteiro da noite, não sei até hoje se surpreso, feliz ou mal humorado por tê-lo acordado, apenas rosnou:
-Passaport
         O que fiz imediatamente, pedindo um quarto.O hotel não podia ser mais sinistro, antigo com um pé direito enorme e moveis do inicio do século, prestava-se como cenário de um filme de terror.
         Naquela hora eu não queria ser personagem de um romance do Stephenking, John Lê Carré ou Agatha Cristie, eu só queria uma cama para dormir.
         Entrei no quarto e fui direto para a torneira, para aliviar a sede que já me atormentava.Esta gemendo foi despejando no copo um líquido leitoso e espumante...olhei a velha banheira de deveria ser branca por volta de 1920, mas agora era de um negro fosco. Deixei o copo na pia e fui para o banho, felizmente após o banho aquele líquido no copo decantou e tomou o aspecto daquilo que costumam algumas pessoas chamar de água.
         Bebi dois copos, esquecendo o cólera, gram negativos e salmonelas e fui dormir, sem antes encostar uma cadeira junto à maçaneta da porta.
         Despertei na manhã seguinte com um burburinho na rua, abri a janela e vi uma cidade em toda a sua agitação. Estava mesmo em Beogrado, ali era a região dos terminais rodoviários, bem junto aos rios Savo e Danúbio.
         Desci, paguei a conta, fiz cambio e tomei o desjejum. Pronto tudo voltava à normalidade, agora era só procurar o hotel que previamente havia agendado.
         Fiz belos passeios pela cidade, visitando seus principais pontos turísticos e na tarde de domingo fui para o aeroporto tomar o avião que me levaria para Milão, onde faria a conexão para o vôo com destino a São Paulo.
         A Alitalia acabou por cancelar meu vôo, assim tive que pernoitar em Milão e seguir no dia seguinte, pela manhã para o Brasil, aonde cheguei por volta das 16 horas e o vôo para Porto Alegre só partiria às 22 horas, com o atraso da Varig, acabei chegando em Porto Alegre, nas primeiras horas da terça feira.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

Serra Catarinense-Rio do Rastro

               SERRA DO RIO DO RASTRO      







         Podemos chegar aos Campos de Cima da Serra por diversas estradas.
         No Rio Grande do Sul temos as cidades de Cambará do Sul, Bom Jesus Jaquirana e São Jose dos Ausentes.
        A porta de entrada destas cidades, que vem de Porto Alegre é São Francisco de Paula.
         Em Santa Catarina temos as cidades de São Joaquim, Urubici e Bom Jardim da Serra.
         Podemos chegar até elas via Bom Jesus ou São José dos Ausentes, já nos campos de cima da serra, ou pelo litoral, saindo de Porto Alegre pela 101, subir a serra em São João do Sul pela Serra do Faxinal. Um pouco mais adiante, após Sombrio subir a Serra da Rocinha. Estas serras, respectivamente dão acesso as cidades de Cambara do Sul e São José dos Ausentes.
         Ainda pela 101, já em SC, por Orleans vamos acessar a Serra do Rio Do Rastro e pouco mais em Grão Pará a Serra do Corvo Branco. Respectivamente acessamos as cidades de Bom Jardim da Serra e Urubici

         Um belo passeio, seja a rota escolhida, claro que desejo falar mais, neste, da serra catarinense. Principalmente da região de Urubici, onde vamos encontrar o ponto mais alto do sul do Brasil, o Morro da Igreja com mais de 1840 metros de altitude, a Pedra Furada e a Serra do Corvo, uma obra de engenharia fantástica, um grande corte numa parede rochosa que do acesso as encostas da serra, por onde vai serpenteando a estrada até a zona da costa atlântica.
         Vamos encontrar nascentes de rios, cachoeiras, canyons, abismos, trilhas pelas matas e muitas outras coisas para passarmos dias inesquecíveis, captando imagens fantásticas.
         Um cenário que varia em poucas horas, com todo seu esplendor aos raios do sol, misterioso quando a neblina nos envolve, dissolvendo os horizontes à visão. Encantador com a neve e o gelo pintando de branco a paisagem. Ou simplesmente decepcionante quando o frio, a chuva e a neblina tomam conta de tudo. Aí só nos resta o aconchego dos bons hotéis da região, esperar frente à lareira, o tempo melhorar e voltar para o encantamento.
         Vamos encontrar pela região toda a sorte de aventureiros: ciclistas que desafia suas forças pedalando pelas íngremes serras. Os jipeiros procurando os mais difíceis atoleiros para um saboroso banho de lodo, desatolando seus veículos. O amante da natureza, desvendando as trilhas pela mata, apreciando as araucárias, parando aqui ou ali pra saborear uma gostosa maçã, colhida no pé.O turista convencional que sobe de ônibus, vans ou mesmo em veículos particulares para desfrutar as paisagens da região.
         Impossível ficar estático frente as íngremes curvas da Serra do Rastro ou do Corvo, sentir aquele frio na barriga, posso garantir que é muito mais bonito que a Serra dos Caracoles, entre a Argentina e o Chile.
         Uma sugestão de passeio: optando apenas pela parte catarinense, suba a Serra do Rio do Rastro, passando e conhecendo Bom Jesus da Serra, procurando suas centenas de quedas de água. Passeando pelas margens dos pequenos rios, procurando suas nascentes nas encostas dos morros.
         Siga para Ubirici, lá vá até a pedra furada, faça uma trilha até o “campinho”, depois procure a Cascata do Véu de Noiva, passeio por esta bonita fazenda. Não esqueça de tomar um quentão comendo pinhões. Viste a Cachoeira do Avencal, a do Rio Canoas, dispare seu coração as margens do Cânion do Espraiado. Circule pelas pedras do Morro do Campestre, procures as inscrições rupestres que estão muito perto da entrada da cidade de Ubirici, almoce uma truta grelhada no Bar do João e volte a passear..
        Chegue até o imponente talho da rocha, na entrada da Serra do Corvo.
         Minha meditação preferida: sentar no Morro da Igreja, e perder o limite da minha visão na Pedra Furada, com os majestosos picos abaixo do meu campo de visão. Perco a noção de tempo e espaço e mergulho na fantasia da emoção.
         Volto para o hotel e no outro dia procuro novas emoções. Mais tarde muito feliz, desço pelo Corvo Branco e torno a subir pelo Rio do Rastro e sigo para i Rio Grande do Sul via São José dos Ausentes, para lembrar o nosso ponto mais alto, o Cânion de Monte Negro. 
         Procure se hospedar nas fazendas da região, e não abra mão do passeio a cavalo pelas bordas do cânion.
         No outro dia volte feliz para casa, passando por Cambará, São Francisco de Paula, em antes tomar um gostoso café colonial serrano.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Primeiros passos o mundo que procuro ver...

                                  Primeiros  Passos


                            Iniciei bem cedo, pelos armários da minha casa, pelas ruas do meu bairro, pelas cidades do meu estado e pelos estados do meu Brasil.
       
              Ganhei asas maiores e voei pelo mundo, até a presente data visitei os cincos continentes, conhecendo mais de setenta países.
     Viajei a pé, de motocicleta, carro, jipe, canoa, navio, trem, ônibus e avião, acredito que em todos os meios de transportes viáveis.                Minhas viagens iniciam no sonho, concretizam-se e tornam-se lembranças.

              Lembranças que estão, há todos instantes ao meu lado, num piscar de olhos, vou das margens do Guaíba  as margens do Ganges.

             São vinte anos de transbordo, trocando de cidades, países e continentes, são vinte anos de emoções, alimentando meu espírito atávico de nomadismo.

            Pelos recantos do mundo, conheci muita gente, muitas raças, credos e ideologias, mas comunga uma mesma paixão: Viajar.

           Viajar é um ‘vício; quando contaminado, o homem torna-se cidadão do mundo, vive-se para aguardar o dia da nova partida.   

INTRODUÇÃO


              Cada vez que olho uma pedra, uma ruína antiga, um fóssil, um objeto antigo num museu, assalta-me um sonho.
Vejo-me numa máquina do tempo, retrocedendo até a época da criação daqueles objetos, das cidades, quando tudo aquilo era o presente.
           Imaginei o Big Bang, estava há 13 bilhões de anos atrás, nosso Universo estava sendo gerado, as galáxias se formavam, voltei até quatro bilhões de anos, nosso planeta estava nascendo, avancei até os 630 milhões de anos, a vida se esboçava na face da Terra, ou melhor, na água. Adquirindo apenas nos 530 milhões de anos, uma forma mais complexa, onde somente nos últimos 100 mil anos se daria o surgimento do primeiro primata.
        Sim, apenas nos últimos 100 mil anos; se transformássemos a idade da terra num único dia, o homem teria surgido apenas no último segundo deste dia.
         Os cientistas usam métodos complexos de datação, como técnica isotópica medindo a passagem do urânio para chumbo, rubídio para estrôncio, podendo assim datar com estas técnicas, com muita precisão até 4,5 bilhões de anos. O carbono 14 só é fidedigno até 400.000 anos. Existem outras tantas técnicas de datação para medir a idade de minerais, fósseis e outras formas de vida na Terra.
        A nossa Terra já esquentou, esfriou, expandiu, está em constante modificação. Hoje o nosso mapa terrestre é totalmente diferente daquele há 500 milhões de ano atrás.
         O homem hoje tão onipotente, não imagina que os dinossauros reinaram absolutos por mais de 200.000 anos e se extinguiram. Nós estamos aqui por mais ou menos 100.000 anos, e certamente nossa raça não verá os próximos cem mil anos, estaremos extintos pelas leis naturais e evolutivas. Daremos lugar para uma nova forma de vida. É a lei natural
                Nós somos frutos do nosso presente, procuramos uma luz na noite do passado e caminhamos para o entardecer do nosso futuro. De olhos no passado, nos últimos 600 milhões de anos de vida, grandes manifestações surgiram e pereceram.
             Evolução? Vida marinha, anfíbia, terrestre ou aérea. As manisfestações de vida adaptaram-se, chegando, ao que queremos acreditar, ser o expoente máximo: NÓS.
           Seres dotados de inteligência, fazendo da Terra um bem exclusivo seu. Esqueceu o homem, detentor da vida e da morte, que sua existência ocupa apenas 0,00015 do tempo de vida na Terra, uma fração mínima, ínfima, sub-milesimal, duma espécie que hoje inescrupulosamente usa e abusa dos recursos do planeta, sem pensar nas conseqüências futuras.
          Um velho provérbio índio, diz: a terra é um empréstimo dos nossos filhos e assim deverá ser sucessivamente.
        Volto à realidade, desligo minha imaginária máquina do tempo e descanso os olhos nas prateleiras da biblioteca a minha frente. Estão centenas de livros de história, turismo, mapas, crônicas e relatos, há também recordações de todos os quatro cantos da terra que já percorri. São souvenir, são pedaços da minha história. São anotações, fotos, filmes, cadernetas, enfim, é o meu trabalho, com se fosse uma barreira de coral: acumulação acidental. Toda a acumulação de informação foi feita por puro prazer. Fixo os olhos num pequeno fragmento rochoso, semelhante ao granito, pedra que geólogos denominariam gnaisse. Gnaisse é uma rocha metamórfica, de textura bem orientada, constituída essencialmente de feldspato, quartzo e mica. Apresenta-se nas cores cinza, preta ou rósea é proveniente das rochas magmáticas, é freqüente no embasamento cristalino brasileiro.
             O granito se origina no magma, um líquido viscoso que se resfria com lentidão. Os cristais iniciam sua aparição aos 1500 graus centígrados e finalmente aos 500 graus dão origem ao quartzo. O resfriamento do granito sempre se faz a grandes profundidades.
               A crosta terrestre, litosfera, é a quarta parte do nosso planeta, em termos químicos a crosta encerra grande variedade mineral, mas apenas 18 elementos químicos têm predominância:
                   Oxigênio         46.4%
                     Silício             27.61%
                     Alumínio         8.07%
                     Ferro               5.05%
                     Cálcio              3.64%
                     Sódio               2.75%
                     Potássio           2.58%
                     Magnésio        2.07%
                     Outros             1.76%
           

            Estes elementos combinados formam as mais diversas rochas que após processos de meteorização, erosão, processos físicos e químicos levaram as aos subprodutos minerais com os quais convivemos nosso dia a dia.
         Os elementos nativos são puros, por exemplo: ouro, prata, diamante, grafite, a outra grande parte resulta de combinações. A maioria, é silicatos. Temos ainda a água e o ar, a nossa camada gasosa.
          A nossa galáxia foge numa velocidade de 130.000 km/s, move-se para longe de tudo. É a lei de expansão do universo.  As estrelas são de hidrogênio e hélio seu processo é fusão nuclear.
        O processo inicia com o hidrogênio que originou o hélio que por sua vez, criou, o carbono e assim sucessivamente sempre formando elementos mais pesados, é o que hoje encontramos nas tabelas periódicas.
        Tudo tão grandioso. Números com muitos zeros, elementos químicos, cadeias moleculares, ADN ou RNA, enfim, é a terra, é a vida esta poderia ser uma estória tipo flash vida.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Bulgaria

                                           BULGARIA 
                                                

        

         Vários são os motivos que levam a visitar a Bulgária. Claro que ainda estou no clima da rota da seda, e este país foi um acesso para as regiões por mim, visitadas no ano passado.
         No século VII, invasores de origem turco-tártaras, mesclam-se aos nativos eslavos, adotando sua cultura.
         Em 1395 é anexado ao Império Turco-Otomano, sendo que 500 anos mais tarde é libertado pelo exército russo em 1878, e finalmente adquire sua independência em 1908 com a coração de Ferdinando de Saxe-Coburgo-Gotha.
         A Bulgária alia-se a Alemanha na I Guerra Mundial, perde  territórios para a Romênia, Iugoslávia e Grécia.
         A mesma posição é tomada na II Guerra Mundial, mais uma vez, perde, é governada pela influência da URSS.
         A Bulgária hoje é um país que luta para entrar no bloco dos paises da União Européia.
         Um país com fortes cicatrizes do regime socialista, seu povo é composto por uma maioria cristã-ortodoxa 86%, e 14% de mulçumanos. Adota ainda o alfabeto cirílico.
         Sua bela geografia divide-se  entre os férteis vales do Danúbio, as praias do Mar Negro e as montanhas dos Bálcãs.
         É por estas regiões, salpicadas de muita história, guerras e aventuras que quero encontrar nos 546 quilômetros de ferrovia, que me levarão de Istambul, da Turquia para Sofia, capital da Bulgária.
         Andar por estas terras tão disputadas, onde os búlgaros para conseguirem manter sua soberania e sobrevivência tiveram que enfrentar mais de uma centena de guerras. Desde os tempos dos Trácios que foram sucessivamente dominados por gregos e depois pelos romanos e eslavos. Neste entrevero de conflitos, apenas em 681 consolidou-se o Reino da Bulgária.
         Sofia a capital do país é uma cidade com um pouco mais de um milhão e meio de habitantes. Uma cidade agradável com inúmeros jardins e obras de arte. Mantêm ainda com orgulho seu lema: “ Crescer sem envelhecer”.
         Certamente em poucos dias estarei circulando pelas imediações do famoso hotel Balka, em Sofia. Visitando o museu com suas famosas peças dos tracitos em ouro, representando figuras mitológicas, que foram encontradas em Panaghiurichte.
         Este hotel está localizado, eu espero, bem no centro da cidade e próximo a estação ferroviária, onde estarei desembarcando numa manhã de setembro proveniente da Turquia. Espero que tudo corra bem, pois apesar do meu domínio fluente em várias línguas, o cirílico não é das minhas línguas mais fluentes. Mas torço que não apareçam grandes problemas, principalmente com a imigração, se isto ocorrer eu nem estarei em Sofia, mas provavelmente retido em algum lugar perdido entre a fronteira turco-búlgara.
         Em Sofia certamente estão me aguardando belas mesquitas e igrejas bizantinas. Minha lista de atrativos é:
                   -Catedral Alexandre Nevski
                   -Igreja San Giorgio
                   -Afrescos da Igreja Sta Sofia
                   -Monte Votocha
                   -Estação de Inverno Borovets
                   -Monastério de Rila
         Estarei por mais de dois dias para desvendar todos os encantos desta cidade tão pouco falada e escrita por programas e revistas de turismo.
         A segunda etapa deste passeio é voltar a estação ferroviária e pegar um trem e percorrer mais 381 Km até Belgrado, mas antes  quero; ainda conhecer aqui na Bulgária, conhecer o Monastério de Rila.


                                



               MONASTERIO DE RILA


         Turista tem que achar algo para conhecer, mesmo que seja num país pouco conhecido e divulgado como a Bulgária.
         Pelo menos tem alguns monumentos listados pela UNESCO como patrimônio natural da humanidade. Pois é, Rila esta nesta lista e pelas poucas e más fotos que possuo, parece ser um lugar bem interessante, que vale a pena conferir em loco.
         Está situado, cerca de 122 km ao sul de Sofia, este monastério foi fundado no final do século X por um eremita chamado Ivan Rilski, também conhecido por São João de Rila. (876-946)
         Este monge albergou a primeira comunidade monástica dos paises balcânicos. Inicialmente foi numa gruta, com o passar do tempo foi anexando em torno desta gruta uma serie de construções.
         Deste primeiro período, resta apenas a Torre da Homenagem, o complexo atualmente reúne onze igrejas e vinte edifícios religiosos, construídos entre os séculos XIV e XIX.
         A Torre da Homenagem, foi erguida em torno de 1335, tem 22 metros de altura e era utilizada com fins religiosos e de segurança.
         Quando estiver efetivamente passeando pelas ruas desta cidade  poderei ver e encontrar todos os encantos.











                      

                     .

terça-feira, 17 de maio de 2011

Salto del Angel

                                                           SALTO DEL ANGEL


         É apenas uma das milhares de quedas de água, proveniente de um rio, que salta das alturas, ou mais precisamente dos Tepuis venezuelanos.
         Tepuis são blocos areníticos, do período pré-cambriano. Criado quando a maior parte da Venezuela moderna, era apenas um mar raso. A erosão criou estes planaltos há mais de 300 milhões de anos, embora os sedimentos datem de três bilhões de anos.
         O AUYANTEPUI é um imenso platô arenítico, com uma superfície estimada em 700 quilômetros quadrados e com uma altura máxima de 2620 metros, acima do nível do mar. Uma montanha que apresenta um formato em V. No século XVI Sir Walter Raleig descreve na região: “ um grande rio salta das alturas sem tocar as paredes da montanha...e alcança o fundo com um estrondo e um barulho que poderia ser produzido por mil sinos gigantes batendo uns contra os outros “. Ernesto Sanches La Cruz, um seringueiro, em 1910 também faz relatos, mas em 1935 um piloto americano, Jimmy Angel sobrevoou a região e tentou aterrisar, o avião ficou destruído, eles conseguiram após algumas semanas de caminhada retornar ao acampamento. A confirmação aconteceu em 1949 com uma ex-correspondente de guerra, chamada Ruth Robertson, comandou uma expedição num barco motorizado rio Churun acima.
         Esta região, até a presente data, só é acessível por via aérea, e faz parte do Grande Parque Nacional de Canaima. Parti de Santa Elena, uma das cidades que disponibiliza vôos para a região. Por si só o vôo já é uma atração. O pequeno avião sobrevoa a região dos tepuis a baixa altitude, e da janelinha vamos vendo uma sucessão interminável destes, e seus platôs corrugados. Chegamos ao complexo de Canaima, que é administrado pela comunidade nativa local. O pequeno, ou melhor, o que eles denominam aeroporto, nos dá uma impressão de total abandono, mas logo que o caminhão da Operadora local nos leva a comunidade, às coisas começam a ganhar forma. Uma pequena comunidade, mas muito bem estruturada com confortáveis unidades de alojamento e centros comunitários como escolas, restaurantes e outras comodidades. Deixei minhas coisas no meu alojamento e segui para a beira da laguna. O coração simplesmente disparou, quando deparei aquela laguna de um azul profundo, com duas belas cachoeiras despejando suas águas, coqueiros emoldurando a paisagem. Apenas sentei a sombra de uma árvore e deixei que aquela natureza maravilhosa embalasse minhas fantasias e as recriassem numa realidade muito mais arrebatadora que a imaginação. Fiquei extasiado, até que a imensa lua cheia aparecesse por traz da montanha e pintasse de prateado a superfície da laguna. Devagarzinho, com medo de quebrar o encanto, voltei ao centro da comunidade, para jantar e descansar.
         No dia seguinte, bem cedo, embarcamos numa canoa motorizada, onze em cada, mais o nativo que controlava o motor de popa e o outro na proa que desvia com um grande remo, o curso da embarcação, quando necessário, devido as grandes pedras ao longo do rio, corredeiras e outros intermináveis obstáculos. Foram cinco horas de navegação, rio acima. A perícia daqueles barqueiros em suas “catraias” é admirável. As corredeiras não nos davam trégua e não nos poupavam de inúmeros banhos, até que chegamos na região de desembarque, onde há uma trilha para o mirador do Salto. Caminhamos umas duas horas pela mata até o mirador. O Salto se abria com toda sua majestade aos nossos olhos, finalmente eu estava frente a frente com ele... mais um sonho realizado”.
          No final da tarde voltamos ao acampamento e dormimos em redes embalados pelo ronco da grande queda e pelo murmúrio do rio. Foi uma noite gloriosa, pela manhã, iniciamos nosso percurso de volta, descendo o rio rumo a Laguna de Canaima. A volta foi tranqüila, pois rio abaixo a viagem é mais rápida e conseqüentemente mais curta, embora cheia de emoções, pois pela rapidez do rio, nosso barco fazia um verdadeiro raffiting.




  


                  
 


 
         A Venezuela tem belas atrações turísticas. Podemos mencionar: Coro que é uma cidade de adobe, que segue o modelo arquitetônico das Canárias e Andaluzia.  Islã Margarita e Islã los Roques, Tepui Autana, Salto Del Angel, Grutas Guácharo, Os Llanos, Delta do Orinoco, Parque Nacional Henri Pittier, Serra Nevada de Mérida, Monte Roraima e a Reserva de Canaima, entre outros.
         Este ano conheci duas belas regiões deste país; o Monte Roraima e agora o Parque Nacional de Canaima, que tem como clímax o Salto Del Angel.
































segunda-feira, 16 de maio de 2011

KASHMIR 7 LADAKH

                                                         A VIAGEM

                   Depois de 36 horas de viagem chegamos em Nova Delhi, fomos diretamente para o Hotel Taj Palace, um suntuoso hotel na parte nova da cidade. Penoitamos e no dia seguinte pela manha fomos ao aeroporto tomar um vôo da Jet Airways com destino a Srinagar.Um vôo tranqüilo numa bela aeronave que desceu tranqüilamente no Kasmir. Fomos diretamente para a cidade e nos instalamos nos House boat, no Lago Dal. Estes barcos fazem às vezes de hotel, eles não navegam, estão fixos na outra margem do lago e uma serie de shikaras, que são uma espécie de gôndolas fazem o percurso de vai e vem levando de uma margem a outra. Também são utilizados por vendedores ambulantes que nos abordam durante as travessias oferecendo toda a sorte de mercadorias.
                   Os house boats são imensas chatas, sua frente esta destinada a uma sala de recepção, imediatamente a seguir é a sala de refeições depois vem um corredor lateral onde se perfilam os quartos, normalmente cada barca abriga 4 a 5 apartamentos com banho privativo. Os barcos são muito luxuosos e temos as refeições incluídas.






     

                   Ficamos hospedados nestes barcos por duas noites recuperando as energias para o prosseguimento do passeio.
                   Durante o dia aproveitávamos para conhecer um pouco da confusa cidade de Srinagar, visitamos o jardim botânico e umas mesquitas no centro antigo da cidade bem como a cidade antiga às margens do rio. Esta cidade é quase totalmente de população mulçumana. Estamos no norte da Índia, muito próximo da fronteira com o Paquistão. O povo mantém aquela aparência do povo típico da região do Paquistão.  
                   No dia seguinte saímos em direção a Pahalgam, que é a região onde inicia o ponto de partida para as trilhas pelas montanhas. Uma parte do nosso grupo ficou hospedada no hotel nesta cidade e ocupou seu tempo no hikking, ou sejas visitando os arredores e fazendo esporte tipo canoagem no rio ou passeio a cavalo.

                   Ficamos uma noite hospedados neste hotel; em Pahalgam fazendo os preparativos para o trekking. Na manha seguinte pegamos os jipes e rumamos para o vilarejo de Aru, que é uma pequena aldeia na boca do vale. Aqui já estávamos no Kashmir rural, com sua população típica vivendo basicamente do turismo e do pastoreio.
                   Iniciamos nos 2400 metros de altitude, e o nosso trekking por volta das nove horas da manhã. Tínhamos pela frente cerca de 6 a 8 horas de caminhada para nosso primeiro acampamento. Começamos nossa caminhada subindo por trilhas entre pinheiros e deparando vez ou outra com os nômades e suas rústicas habitações. Este grupo pertence etnia gurja, que vivem na região durante o verão ocupando-se do pastoreio de caprinos, ovinos e cavalos, já que no inverno este vale fica ocupado por mais de 4 metros de neve, tornando a vida impraticável.
                   Nossa meta era seguir pelo vale ao longo do Rio Lidder, seguindo seu vale, cercado de altas montanhas até o seu final onde encontraríamos o Kolahoi Glacier, no final do vale onde as altas montanhas fechariam a nossa caminhada, mas para isso teríamos pela frente cerca de três dias de caminhada.
                   Nosso primeiro percurso foi relativamente fácil, embora encontrássemos alguns aclives acentuados, e pequenas travessias em córregos, que desciam das montanhas. A maioria do nosso trajeto foi por campos verdejantes, atravessando e cruzando com pastores e mercadores locais.
                    Nosso grupo de trekkista era pequeno. Estávamos em 14 pessoas, tínhamos três guias de trilha. Um ficava a frente mostrando o caminho, o outro ficava mais ou menos na metade do grupo e o último acompanhava os retardatários.
                    Seguimos sempre ao norte seguindo o rio. A paisagem era simplesmente fantástica. O rio caudaloso e gelado crepitando por entre as pedras, nós seguindo pelas margens ou por atalhos, hora subindo, hora descendo e ao nosso lado cresciam as altas montanhas com seus picos eternamente nevados. No final da tarde chegamos ao campo base do nosso primeiro acampamento. Lidderwhat, uma bela clareira verdejante ao longo do rio. A nossa volta as montanhas, a nossa frente o vale que nos aguardava para a trilha do dia seguinte.
                   Como já disse nosso grupo era pequeno, cerca de 14 trekkistas, mas na nossa frente seguia uma caravana com cerca de 10 burros e ajudantes. Estes carregavam nosso equipamento para o trekking como bagagens, cabanas, alimento, gás para cozinhar e toda a sorte de apetrechos para um acampamento nas melhores condições.
                   Como os nossos ajudantes caminhavam mais rápido e a carga era transportada pelos burros quando chegávamos ao lugar do acampamento, geralmente eles já estavam com tudo montado. Normalmente eu caminhava mais rápido que o grupo. Quase no mesmo ritmo dos carregadores, assim tinha o privilegio de vê-los montando o nosso acampamento.
                   É muito interessante, pois cada um tinha uma tarefa especifica, enquanto um ia montando as barracas, o outro ia descarregando os animais e os soltando nas imediações para pastarem e descansar. Outros já iam montando a barraca destinada à cozinha e outros já iniciavam as lidas para o jantar.Tudo completamente sincronizado e de uma perfeição inigualável.

                   No centro do acampamento ficava a barraca refeitório, onde naquela primeira noite nos foi oferecido um gostoso jantar. Galinha com arroz, massa e uma saborosa sopa de legumes.
                                                                                                       

                                   NOSSA ALIMENTAÇÃO

                   Este passeio foi praticamente em regime de pensão completa. Na primeira parte, no House Boat a comida foi excelente. Café da manhã com leite, chá, pães, geléias e ovos. O almoço e janta sempre precedidos de um gostoso caldo de legumes e depois o prato principal sempre com um tipo de carne, pescado, carneiro ou galinha.
                   No acampamento o padrão foi mantido, visto que levávamos galinhas vivas num cesto que íamos abatendo-as conforme a necessidade. A alimentação foi muito boa, durante a trilha levávamos um Lunch Box, um pequeno farnel com um pão, um pedaço de galinha frita, um ovo duro e um suco. A água nos usávamos a do rio, outros ferviam a água do rio no acampamento, e a levavam, embora nessa altitude a água ferva numa temperatura de 80 graus, o que não faz muita diferença, e o nosso consumo de água era muito grande, assim era mais prático usar a água do rio para abastecer nossos cantis.
                   Nos outros lugares já em plena estrada tínhamos que nos contentar com o que estivesse disponível, e geralmente era muito apimentada. Outras vezes era bom nem olhar e nem cheirar apenas comer e rezar para não ter problemas estomacais.
                   Permaneci o tempo todo incólume a qualquer dissabor estomacal, inclusive ajudei e tratei o Mauro, dono da Highland e nosso guia num episodio de diarréia. Claro que no restante da viagem já em outros lugares à alimentação variava um pouco, pois passamos para a região de influência budista e hindu que são vegetarianos aí a coisa, pelo menos para mim, que sou carnívoro, ficou um pouco mais complicada.