segunda-feira, 16 de maio de 2011

rota da seda

                                ROTA  DA  SEDA

          Este passeio vinha fazendo parte dos meus sonhos há algum tempo.
         A  Rota da Seda é mais conhecida por ser um caminho terrestre ligando a Europa à Ásia. Estima-se que há mais de dois mil anos este roteiro vem servindo de elo de ligação comercial, entre diversas culturas.
         São mais de sete mil quilômetros, iniciando na costa do Mediterrâneo e terminando na China. .
         Este percurso começaria no que hoje conhecemos por Itália, seguiria pela Turquia, Síria, Líbano, Iraque, Irã, Uzbequistão, Quirguistão e entraria pela fronteira oeste da China até Xian.
           Outro braço desta rota seguiria rumo a Índia, passando pelo Paquistão,  e o último braço, desviaria para oeste, cruzando o Oriente Médio, atravessando a Jordânia, Egito entrando no continente africano até a Etiópia.
         Desertos, planícies, altas montanhas, rios caudalosos e toda a sorte de obstáculos geográficos eram ultrapassados por intrépidos caravaneiros, na ânsia de trocar suas mercadorias entre as diferentes culturas. Mil sortes de empecilhos tornavam, os mais dos duzentos dias da travessia; uma árdua jornada. Ora transpondo cordilheiras geladas, outra se esquivando de tribos hostis, transpondo desertos, geleiras, enfrentando animais ferozes e tudo que a imaginação de um bom aventureiro possa imaginar, durante esta peregrinação há dois mil anos atrás.
         Relatos históricos reportam que o primeiro viajante, neste percurso, foi um general chinês, Zhang Quian, que em 138 AC percorreu esta rota no sentido leste oeste. Teria passado por Samarkand, Bukhara, Pérsia, Índia e chegado até Roma.
         O que levaria o homem a empreender tão longa jornada? Primeiro seu espírito atávico de nomadismo, sempre a procura de novos horizontes e melhores lugares para viver. São unânimes os historiadores ao afirmarem que o real objetivo desta longa jornada; eram meramente comerciais.
                 OURO
                 PEDRAS PRECIOSAS                                                             
                MARFIM
                SEDA

                ESPECIARIAS

                PORCELANA
                ESCRAVOS
                TROCA DE CONHECIMENTOS

         Vamos fazer uma pequena resenha histórica. Neste mundo de  4000 anos até a época dos descobrimentos marítimos. Muitas culturas floresceram: Gregos, Romanos, Mohenjo-Daro, Chan, Persas, Mongóis, Fenícios, Egípcios, Sumérios e tantas outras ( não estão dispostas em ordem cronológica de aparecimento).
         O Egito necessitava de ouro, seda, cedro e escravos para enriquecer, fazer os ataúdes, vestir e construir a riqueza de seus faraós. O Egito não os tinha, assim deveriam vir de outros lugares, talvez  o ouro da Etiópia, a seda da China, o cedro do Líbano e os escravos, de quem oferecesse a melhor qualidade, ou mesmo fruto das tribos vencidas.
         Junto com os bens matérias, veio atrelada, toda a sorte do conhecimento humano: ciências, religião, filosofia etc...
         O islamismo, budismo e hinduismo propagaram-se nesta mistura étnica mesclando-se com outras religiões  e idolatrias, dando base para as fortes religiões monoteístas que hoje existem.
          
         Este intercâmbio cultural foi muito intenso. Gregos iam estudar medicina e astronomia com chineses. Chineses estudavam matemática e química com os árabes. Egípcios iam a Índia. Era uma comunidade global, trocando informações e influências.
         Grandes conhecimentos médicos, matemáticos, astronômicos arquitetônicos e filosóficos foram embasados neste intercambio.
         
Como conseqüência das distâncias, e do constante assedio de tribos hostis que saqueavam as caravanas, foram criados vários entrepostos comerciais, no sentido de abreviar as distâncias, favorecendo um intercambio mais ágil. Nasceram assim as grandes cidades ao longo da rota.

                            PALMIRA

                            DAMASCO

                            ALEPO NA SIRIA

                            CONSTANTINOPLA NA TURQUIA
                            BAALBECK NO LIBANO
                             BAGDA NO IRAQUE
                             BUKHAARA
                            SAMARKAND NO UZBEQUISTAO
                            OSH E NARYN NO QUIRGUISTAO
                             KASHAGAR, CHENGDU E XIAN NA CHINA
         Entre milhares de caravaneiros anônimos, percorrendo esta trilha, a história registra:
                                      Zang Quian em 138 AC
                                      Xuan Zang em 602
                                      Os Pólos em 1250
                                      Shoquan Valikhanov 1835-1865
                                      Armando Azambuja    1998-2004

         Esta ROTA DA SEDA teve crucial importância, para o desenvolvimento da humanidade. Profundas mudanças ocorreram, basta lembrar, que os constantes confrontos bélicos na Ásia Central nos períodos que antecederam o século XIV impediam o fluxo terrestre de mercadorias. Forçando os europeus a procurarem rotas alternativas, para alcançarem de forma segura a fonte de bens tão almejada na Europa.
         Mais uma vez, conhecimentos milenares de astronomia, navegação e cartas náuticas, como os mapas de Piri Reis foram úteis. A criação da escola de Sagres, fundada em 1433, pelo infante D Henrique foi uma a utilizar-se destes conhecimentos, inclusive de fenícios e vikings. Esta escola tornou a Europa capaz de se lançar aos mares a procura de novos caminhos e terras. Vasco da Gama deu o primeiro passo, descobrindo o caminho marítimo para as Índias, pouco depois Colombo e Cabral ampliam o mundo de até então.
         O nosso Brasil, por que não, tem seu descobrimento, de certa forma influenciado pelos obstáculos da rota da seda. Se minhas origens reportam Portugal, mais precisamente a Vila de Azambujeiro, um enclave mourisco, e meu berço é este querido Brasil, nada mais normal, que eu procure vasculhar minhas origens, na mais pura essência da curiosidade e pelo espírito aventureiro. Seguindo a mesma trilha dos homens que num remoto passado, traziam e levavam conhecimento humano aos mais distantes rincões deste nosso pequeno planeta.
  


                              


















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