quarta-feira, 11 de maio de 2011

Salto del Angel

                                                                                       SALTO DEL ANGEL

         É apenas uma das milhares de quedas de água, proveniente de um rio, que salta das alturas, ou mais precisamente dos Tepuis venezuelanos.
         Tepuis são blocos areníticos, do período pré-cambriano. Criado quando a maior parte da Venezuela moderna, era apenas um mar raso. A erosão criou estes planaltos há mais de 300 milhões de anos, embora os sedimentos datem de três bilhões de anos.
         O AUYANTEPUI é um imenso platô arenítico, com uma superfície estimada em 700 quilômetros quadrados e com uma altura máxima de 2620 metros, acima do nível do mar. Uma montanha que apresenta um formato em V. No século XVI Sir Walter Raleig descreve na região: “ um grande rio salta das alturas sem tocar as paredes da montanha...e alcança o fundo com um estrondo e um barulho que poderia ser produzido por mil sinos gigantes batendo uns contra os outros “. Ernesto Sanches La Cruz, um seringueiro, em 1910 também faz relatos, mas em 1935 um piloto americano, Jimmy Angel sobrevoou a região e tentou aterrisar, o avião ficou destruído, eles conseguiram após algumas semanas de caminhada retornar ao acampamento. A confirmação aconteceu em 1949 com uma ex-correspondente de guerra, chamada Ruth Robertson, comandou uma expedição num barco motorizado rio Churun acima.
         Esta região, até a presente data, só é acessível por via aérea, e faz parte do Grande Parque Nacional de Canaima. Parti de Santa Elena, uma das cidades que disponibiliza vôos para a região. Por si só o vôo já é uma atração. O pequeno avião sobrevoa a região dos tepuis a baixa altitude, e da janelinha vamos vendo uma sucessão interminável destes, e seus platôs corrugados. Chegamos ao complexo de Canaima, que é administrado pela comunidade nativa local. O pequeno, ou melhor, o que eles denominam aeroporto, nos dá uma impressão de total abandono, mas logo que o caminhão da Operadora local nos leva a comunidade, às coisas começam a ganhar forma. Uma pequena comunidade, mas muito bem estruturada com confortáveis unidades de alojamento e centros comunitários como escolas, restaurantes e outras comodidades. Deixei minhas coisas no meu alojamento e segui para a beira da laguna. O coração simplesmente disparou, quando deparei aquela laguna de um azul profundo, com duas belas cachoeiras despejando suas águas, coqueiros emoldurando a paisagem. Apenas sentei a sombra de uma árvore e deixei que aquela natureza maravilhosa embalasse minhas fantasias e as recriassem numa realidade muito mais arrebatadora que a imaginação. Fiquei extasiado, até que a imensa lua cheia aparecesse por traz da montanha e pintasse de prateado a superfície da laguna. Devagarzinho, com medo de quebrar o encanto, voltei ao centro da comunidade, para jantar e descansar.
         No dia seguinte, bem cedo, embarcamos numa canoa motorizada, onze em cada, mais o nativo que controlava o motor de popa e o outro na proa que desvia com um grande remo, o curso da embarcação, quando necessário, devido as grandes pedras ao longo do rio, corredeiras e outros intermináveis obstáculos. Foram cinco horas de navegação, rio acima. A perícia daqueles barqueiros em suas “catraias” é admirável. As corredeiras não nos davam trégua e não nos poupavam de inúmeros banhos, até que chegamos na região de desembarque, onde há uma trilha para o mirador do Salto. Caminhamos umas duas horas pela mata até o mirador. O Salto se abria com toda sua majestade aos nossos olhos, finalmente eu estava frente a frente com ele... mais um sonho realizado”.
          No final da tarde voltamos ao acampamento e dormimos em redes embalados pelo ronco da grande queda e pelo murmúrio do rio. Foi uma noite gloriosa, pela manhã, iniciamos nosso percurso de volta, descendo o rio rumo a Laguna de Canaima. A volta foi tranqüila, pois rio abaixo a viagem é mais rápida e conseqüentemente mais curta, embora cheia de emoções, pois pela rapidez do rio, nosso barco fazia um verdadeiro raffiting.






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