A VIAGEM
Depois de 36 horas de viagem chegamos em Nova Delhi, fomos diretamente para o Hotel Taj Palace, um suntuoso hotel na parte nova da cidade. Penoitamos e no dia seguinte pela manha fomos ao aeroporto tomar um vôo da Jet Airways com destino a Srinagar.Um vôo tranqüilo numa bela aeronave que desceu tranqüilamente no Kasmir. Fomos diretamente para a cidade e nos instalamos nos House boat, no Lago Dal. Estes barcos fazem às vezes de hotel, eles não navegam, estão fixos na outra margem do lago e uma serie de shikaras, que são uma espécie de gôndolas fazem o percurso de vai e vem levando de uma margem a outra. Também são utilizados por vendedores ambulantes que nos abordam durante as travessias oferecendo toda a sorte de mercadorias.
Os house boats são imensas chatas, sua frente esta destinada a uma sala de recepção, imediatamente a seguir é a sala de refeições depois vem um corredor lateral onde se perfilam os quartos, normalmente cada barca abriga 4 a 5 apartamentos com banho privativo. Os barcos são muito luxuosos e temos as refeições incluídas.
Ficamos hospedados nestes barcos por duas noites recuperando as energias para o prosseguimento do passeio.
Durante o dia aproveitávamos para conhecer um pouco da confusa cidade de Srinagar, visitamos o jardim botânico e umas mesquitas no centro antigo da cidade bem como a cidade antiga às margens do rio. Esta cidade é quase totalmente de população mulçumana. Estamos no norte da Índia, muito próximo da fronteira com o Paquistão. O povo mantém aquela aparência do povo típico da região do Paquistão.
No dia seguinte saímos em direção a Pahalgam, que é a região onde inicia o ponto de partida para as trilhas pelas montanhas. Uma parte do nosso grupo ficou hospedada no hotel nesta cidade e ocupou seu tempo no hikking, ou sejas visitando os arredores e fazendo esporte tipo canoagem no rio ou passeio a cavalo.
Ficamos uma noite hospedados neste hotel; em Pahalgam fazendo os preparativos para o trekking. Na manha seguinte pegamos os jipes e rumamos para o vilarejo de Aru, que é uma pequena aldeia na boca do vale. Aqui já estávamos no Kashmir rural, com sua população típica vivendo basicamente do turismo e do pastoreio.
Iniciamos nos 2400 metros de altitude, e o nosso trekking por volta das nove horas da manhã. Tínhamos pela frente cerca de 6 a 8 horas de caminhada para nosso primeiro acampamento. Começamos nossa caminhada subindo por trilhas entre pinheiros e deparando vez ou outra com os nômades e suas rústicas habitações. Este grupo pertence etnia gurja, que vivem na região durante o verão ocupando-se do pastoreio de caprinos, ovinos e cavalos, já que no inverno este vale fica ocupado por mais de 4 metros de neve, tornando a vida impraticável.
Nossa meta era seguir pelo vale ao longo do Rio Lidder, seguindo seu vale, cercado de altas montanhas até o seu final onde encontraríamos o Kolahoi Glacier, no final do vale onde as altas montanhas fechariam a nossa caminhada, mas para isso teríamos pela frente cerca de três dias de caminhada.
Nosso primeiro percurso foi relativamente fácil, embora encontrássemos alguns aclives acentuados, e pequenas travessias em córregos, que desciam das montanhas. A maioria do nosso trajeto foi por campos verdejantes, atravessando e cruzando com pastores e mercadores locais.
Nosso grupo de trekkista era pequeno. Estávamos em 14 pessoas, tínhamos três guias de trilha. Um ficava a frente mostrando o caminho, o outro ficava mais ou menos na metade do grupo e o último acompanhava os retardatários.
Seguimos sempre ao norte seguindo o rio. A paisagem era simplesmente fantástica. O rio caudaloso e gelado crepitando por entre as pedras, nós seguindo pelas margens ou por atalhos, hora subindo, hora descendo e ao nosso lado cresciam as altas montanhas com seus picos eternamente nevados. No final da tarde chegamos ao campo base do nosso primeiro acampamento. Lidderwhat, uma bela clareira verdejante ao longo do rio. A nossa volta as montanhas, a nossa frente o vale que nos aguardava para a trilha do dia seguinte.
Como já disse nosso grupo era pequeno, cerca de 14 trekkistas, mas na nossa frente seguia uma caravana com cerca de 10 burros e ajudantes. Estes carregavam nosso equipamento para o trekking como bagagens, cabanas, alimento, gás para cozinhar e toda a sorte de apetrechos para um acampamento nas melhores condições.
Como os nossos ajudantes caminhavam mais rápido e a carga era transportada pelos burros quando chegávamos ao lugar do acampamento, geralmente eles já estavam com tudo montado. Normalmente eu caminhava mais rápido que o grupo. Quase no mesmo ritmo dos carregadores, assim tinha o privilegio de vê-los montando o nosso acampamento.
É muito interessante, pois cada um tinha uma tarefa especifica, enquanto um ia montando as barracas, o outro ia descarregando os animais e os soltando nas imediações para pastarem e descansar. Outros já iam montando a barraca destinada à cozinha e outros já iniciavam as lidas para o jantar.Tudo completamente sincronizado e de uma perfeição inigualável.
No centro do acampamento ficava a barraca refeitório, onde naquela primeira noite nos foi oferecido um gostoso jantar. Galinha com arroz, massa e uma saborosa sopa de legumes.
NOSSA ALIMENTAÇÃO
Este passeio foi praticamente em regime de pensão completa. Na primeira parte, no House Boat a comida foi excelente. Café da manhã com leite, chá, pães, geléias e ovos. O almoço e janta sempre precedidos de um gostoso caldo de legumes e depois o prato principal sempre com um tipo de carne, pescado, carneiro ou galinha.
No acampamento o padrão foi mantido, visto que levávamos galinhas vivas num cesto que íamos abatendo-as conforme a necessidade. A alimentação foi muito boa, durante a trilha levávamos um Lunch Box, um pequeno farnel com um pão, um pedaço de galinha frita, um ovo duro e um suco. A água nos usávamos a do rio, outros ferviam a água do rio no acampamento, e a levavam, embora nessa altitude a água ferva numa temperatura de 80 graus, o que não faz muita diferença, e o nosso consumo de água era muito grande, assim era mais prático usar a água do rio para abastecer nossos cantis.
Nos outros lugares já em plena estrada tínhamos que nos contentar com o que estivesse disponível, e geralmente era muito apimentada. Outras vezes era bom nem olhar e nem cheirar apenas comer e rezar para não ter problemas estomacais.
Permaneci o tempo todo incólume a qualquer dissabor estomacal, inclusive ajudei e tratei o Mauro, dono da Highland e nosso guia num episodio de diarréia. Claro que no restante da viagem já em outros lugares à alimentação variava um pouco, pois passamos para a região de influência budista e hindu que são vegetarianos aí a coisa, pelo menos para mim, que sou carnívoro, ficou um pouco mais complicada.





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